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Acontece vez por outra, mas não tem constância e tampouco aviso prévio. No entanto, descobrir um novo sabor pode ser sobremaneira raro se a alma estiver fechada para balanço. Felizmente, de tempos em tempos, a vanguarda do pensamento humano se faz ouvir. E que rufem os tambores, pois os novos sabores ocasionais estão livres para a degustação mais uma vez.

Na onda desses prazeres intermitentes, um autor até então desconhecido para um leitor atento talvez esteja no topo da lista. As palavras unidas que edificaram o texto foram escolhidas pela vontade ímpar de um escritor ansioso que os outros lhe descortinem sua arte. Basta abrir a página e a magia acontece, como no circo quando somos crianças. Este mágico literário não é capaz de tirar coelhos da cartola, mas ele brinca com nossa imaginação em igual ou maior intensidade. É doce o sabor das palavras quando bem escritas.

Fico me perguntando o quanto Machado de Assis se deliciou ao ler Shakespeare. Afinal, o Bruxo do Cosme Velho deleitava-se mais quando escrevia ou quando percorria com os olhos as páginas alheias? Dos autores humildes teria a confirmação da segunda alternativa. Numa sociedade consumista, por que não devorar os livros já existentes ao invés de produzir mais e deixá-los estragando no canto de um sebo qualquer? Mas o que seria dos grandes autores se pensassem desta maneira? Escrevemos, pois, nos jornais, em livros ou guardanapos.

Os novos sabores, é preciso dizer, podem ser encontrados nos lugares mais inesperados. Descobrir um sabor é próprio dos que se aventuram pela vida, seja no campo dos sonhos ou no campo de futebol. E uma coisa é certa: quando você sentir o gosto, dificilmente vai abandonar seu novo sabor encontrado ao acaso.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 08/05/2008.

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