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A aventura urbana de todo o dia é o que dá graça aos eventos mais insignificantes. É na cidade, por suposto, onde acontece esse eterno retorno ao que a humanidade tem de mais especial: o conhecimento. Exploradores do passado, mesmo aqueles que o faziam como que por acidente, tiveram raro prazer em encontrar cidades perdidas ou lugares praticamente intocados pelo homem.

Aqueles que primeiro aportaram nesta ilha hoje chamada de Florianópolis, por exemplo, não apenas começaram a transformar suas montanhas, lagoas e afins no que seria uma cidade, mas sentiram certa sensação já não mais possível aos que hoje chegam pela ponte em carros, motos ou ônibus de turismo. Se a Ilha de Santa Catarina ainda impressiona, é por outros motivos que a marcha do chamado progresso ocidental fez questão de edificar.

Não é difícil imaginar o que pensam esses prováveis habitantes de outros planetas que há milênios nos observam. Em sua língua nativa, certamente bem distinta do nosso complicado português, tais seres se perguntam como fomos capazes de alterar tão drasticamente nosso pequeno pedaço de terra, perdido numa galáxia cor de leite.

A cada mudança de nome, Jurerê Mirim, Desterro, Florianópolis, algumas lágrimas escorriam dos olhos extraterrestres que sempre olharam por nós. Que estão fazendo com aquelas praias do norte? Que edifícios são esses no coração da cidade? Que tanta gente é essa todas as noites nessa Lagoa tão bela? As perguntas dos alienígenas, afinal, acabariam sendo feitas por nós mesmos em algum momento de nossa história.

Aos cidadãos mais céticos, convém levantar uma hipótese: Se há vida inteligente em outros planetas, então não custa lembrar que a Terra é o céu de alguém. E não podemos dar esse vexame todo a quem quer que esteja de olho na nossa pequena Ilha.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 22/05/2008.

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