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Os trabalhadores do filme Metrópolis, de Fritz Lang, são um exército de movimentos simétricos, cadenciados e, sobretudo, robotizados. O filme é de 1927, mas a robótica atual, liderada pelos japoneses, de olhos puxados porém atentos, procura imitar as atividades humanas (quando não superá-las) a fim de tornar a vida das pessoas mais fácil e, mesmo, mais interessante.

Em alguns momentos, chega a ser divertido projetar ações humanas em máquinas até então desprovidas de sensibilidade. Afinal, desde sempre a humanidade procura projetar a si mesma, seja em animais como nas fábulas do grego Esopo, seja em objetos inanimados. Até fenômenos conceituais, como o dia, por exemplo, recebem definições de calmo, desanimado, alegre. De qualquer modo, as novas tecnologias que agora se apresentam provocam mais alerta do que admiração.

Há muito tempo, as pessoas deixaram de se importar como é o processo de criação dos inventos. Gênios como Leonardo da Vinci, que sabiam projetar do início ao fim de pontes a armamentos de guerra, ficaram no passado. Utilizamos celulares, computadores, aviões, tocadores de música sem fazer a menor idéia de como e quando eles surgiram. A ciência moderna segmentou o conhecimento em seu próprio benefício, num juízo de progresso que poucos questionam.

O mundo ocidental, capitalista e sem tempo para dizer “bom dia” sucumbe diariamente à tecnologia; um dependente que não aceita comentários sobre o seu próprio vício. Mas eis que chegará um dia em que as máquinas precisarão de nós e aí, quem sabe, teremos uma segunda chance.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 05/06/2008.

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