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Da América pré-colombiana à Grécia mítica, o sol é considerado uma divindade digna das mais altas homenagens. Daqueles que se aquecem uns nos outros em pleno inverno passando pelos que dependem do seu nascer para dias risonhos, o sol é o símbolo vivo da natureza influenciando as relações sociais. E dos astros e estrelas que acompanham nossa imaginação e nossos astronautas, quem reina soberano na Via Láctea é, novamente, o sol.

Tanta atenção ao senhor de todas as luzes deve ser entendida como admiração espontânea. Se existe um criador de tudo o que há, certamente o sol foi um de seus primeiros estalos quando tudo não passava de trevas, salvo um ou dois cometas travessos. Sua presença chama tamanha atenção que o outrora estudioso Galileu Galilei quase perdeu a vida ao afirmar que a Terra, essa conturbada esfera na qual vivemos, girava ao seu redor, assim como os demais planetas. Esperto, Galileu voltou atrás para não cair nas garras da Inquisição, mas temos muitas desconfianças de que ele próprio nunca deixou de acreditar na culminância do sol.

Também devedores de algum apreço para com a estrela de fogo, os românticos não podem esquecer jamais que a sua tão adorada lua só possui o brilho do amor graças à caridade solar, que empresta seus raios num ato de humildade e sedução. Estaria, então, o sol “caliente” de amores pela lua? Quiçá os próprios adeptos do romantismo já responderam essa questão inúmeras vezes em versos, reversos e universos.

Suponho que minha dívida para com o sol não esteja totalmente paga com estas mal-traçadas. Ainda assim, não tenho a menor dúvida de que terei o brilho diário por companhia até os últimos de meus dias. O sol, sabemos agora, deixou de ser uma divindade para tornar-se um grande amigo.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 10/07/2008. 

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