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Não raramente temos o ressurgimento do jeans nas manchetes dos jornais, tal qual a mesma boa e velha história que nos é contada repetidas vezes. Isso não acontece por acaso, posto que o tecido citado é, quiçá, a mais importante invenção humana depois do livro de bolso. Mas o que seriam destes livrinhos sem o bolso do jeans?

Dos produtos entendidos pelos conceitos capitalistas, retiramos a calça jeans como o exemplo extremo do paradoxal mundo moderno. Com sua origem ligada diretamente ao trabalho assalariado, diante das queixas de mineradores estadunidenses no século XIX cujas calças desgastavam rapidamente, o jeans subiu de classe social ainda que sem ser corrompido pelo status quo da elite. Levi Strauss, mesmo sem saber, criara a grande anomalia do capitalismo.

As variações do valor de compra e venda do jeans são derivadas do tresloucado inconsciente do ser mercado: ora com seu bom humor, ora com perturbações em seu temperamento. Mercado este que possui tentáculos nas mais distintas nuanças da vida cultural. E como cultura é a interpretação de tudo aquele que nos cerca, a moda entra nessa teia de significados, lembrando o antropólogo Clifford Geertz. Moda, então, pode ser vista tanto como cultura, quanto como costura.

O jeans, em seu posto de roupa universal, está aí para comprovar as questões anteriores. Terno, camisa, regata, guarda-chuva, cachecol… não há o que iniba uma combinação com a calça jeans, até mesmo a jaqueta jeans pode ser um bom complemento, por mais óbvio que isso possa parecer. O jeans continua único em si mesmo, feito uma metalinguagem conceitual que nos permite acreditar que teoria dá moda e que todo o resto será modificado na próxima estação.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 14/08/2008. 

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