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Quase todos os dias, em algum cantinho dessa cidade que se esqueceu que era uma Ilha e não haveria de ampliar seus espaços, alguém vende livros como quem coloca um tijolo por dia no muro da cultura. Evidentemente, os livros, como todo e qualquer bem material, têm seu preço; mas cá entre nós, preferimos estas singelas pílulas da memória, seja em capa dura ou mesmo na sua versão digital (o tal do e-book), pelo apreço que temos para com as palavras.

Se Florianópolis ainda não se descobriu noir, como aquele cinema em preto branco feito nas terras do norte, então a cidade ao menos deveria se enxergar através das palavras, escritas e faladas, que são a memória de sua gente. E quantos de nossos semelhantes já não nos legaram estes registros, dos versos vorazes de Cruz e Souza à crônica meticulosa de Flávio José Cardozo?Recentemente, um amigo presenteou-me com um livro comprado num dos tantos sebos que hoje existem na capital. Além de, confessadamente, ser o meu gênero de presente preferido, qual não fora minha surpresa pela autora do livro se a nossa Agatha Christie local: a rainha do crime catarinense (literariamente falando, é claro) Katia Rebello. Leitura ainda não terminada, saliente-se, a obra em questão será a terceira da autora a ser saboreada.

Conscientemente ou não, acabei por falar novamente de detetives, crimes e mistério numa cidade em preto e branco que está em busca de si mesma. E são aqueles vendedores urbanos, pacientemente esperando o próximo cliente-leitor, alguns dos responsáveis transportarem à Ilha o fascinante mundo da literatura e dos presentes preferidos.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 09/10/2008.

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