Tags

, ,


É comum aos historiadores recorrerem a jornais antigos quando realizam suas pesquisas. O jornal impresso, portanto, é um veículo de comunicação importante para o registro histórico e cultural de um continente, um país ou mesmo uma cidade.

Caminhando com a história, temos a literatura como outra fonte de consulta valiosa para se compreender aspectos que legitimam uma determinada região. A “literatura não transmite nada. Cria”, escreveu a Marisa Lajolo. E é justamente no ato de criar que a literatura se difere da história. Enquanto esta busca interpretar os fatos para construir uma interpretação do passado, aquela imagina o desconhecido e cria a partir do que já é experimentado.

Inserida no jornal, a crônica apresenta-se numa difusa fronteira entre jornalismo e literatura, mas não pode ser considerada como um gênero literário. Ou pode, vai de cada um. Em minha singela opinião, a crônica não é ficção, é jornalismo. Todavia, “acaso a crônica não é um gênero literário que nasceu do jornal e para o jornal, mas que consegue ir além dele pois tem licença para avançar até o limite da literatura?”, questiona o jornalista e escritor Mário Pereira. Tal questão é solucionada com a afirmativa dos cronistas brasileiros, cujo ofício corrobora a idéia da crônica como um texto criativo, mas que se adapta ao veículo para o qual é produzida.

A crônica, então, é um recorte do cotidiano visto pelos olhos do cronista. O pequeno espaço que lhe é reservado nos jornais aumenta ainda mais sua peculiaridade, quase como um oásis no meio de tantas notícias que, em geral mostram o lado vil do ser humano.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 16/10/2008.

Anúncios