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Todo dia tem uma notícia, assim como sempre há manhã, tarde e noite. São 24 horas ininterruptas nas quais não só o tempo segue, mas também os sentimentos, alegrias, frustrações; erros e acertos que, dialeticamente, formam essa colcha de retalhos chamada vida. O jornalismo procura dar um entendimento aos retalhos, para que a colcha, então, exerça seu papel social.

Se entendermos que o jornalismo existe para informar e formar os cidadãos e se entendemos que cultura é uma ciência interpretativa, é preciso agregar ambos os conceitos para se chegar a um acordo sobre o que vem a ser jornalismo cultural. Todavia, se a cultura é uma ciência interpretativa, todo jornalismo, em essência, não seria cultural? Pois ao escrevermos num jornal sobre temas econômicos, políticos e policiais não interpretamos fatos de uma cultura? Parece que sim.

As opções, além do jornalismo, são muitas. Bandeira ansiava ir embora para Pasárgada. Raul Seixas pediu que o mundo parasse (ele queria descer!). E Fernando Pessoa, indefectível, afirmava que viver nem era assim tão necessário: Criar era o que importava!

E então, criando e recriando, há diariamente uma notícia esperando para se tornar a conversa da manhã seguinte. Enquanto isso, continuamos acreditando que nem todas as ilusões, como imaginou Balzac, estão perdidas. Nem todas.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 23/10/2008.

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