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Imagine-se como um fotógrafo curioso, daqueles que vêem uma simples paisagem e descobrem um mundo em miniatura, daqueles que estão no meio da multidão e encontram milhares de histórias singulares, daqueles que quando chegam a esta Ilha de Santa Catarina dão com a história do século XXI cobrindo os vestígios do passado com muito concreto e pouco contato.

Imagine-se um poeta, daqueles que procuram cada verso ou rima como quem anseia encontrar um verdadeiro amor, daqueles apaixonados pela diversidade ao mesmo tempo em que desejam que todos no mundo fossem iguais a você, daqueles que olham para esta terra de selva e pedras, ligada ao mundo por três pontes, e admiram-se por jamais, em qualquer lugar, ter tanto para cantar.

Imagine-se um cineasta, artista de conjunto, daqueles que exploram o mundo feito um astronauta noutro planeta, daqueles que correm atrás do plano exato e da cena ideal, seja num dia de chuva ou de sombras das árvores, daqueles que teimam em filmar os lugares símbolos da capital catarinense como se, num ato de vaidade, fosse possível mostrar aos outros o que poucos têm a oportunidade de curtir por inteiro, como quem pergunta: “Eu estive lá, e você?”.

Imagine-se exatamente como você é, daqueles que se importam com a sua cidade, seja esta seu local de origem ou não, daqueles indignados com todos estes problemas pelos quais Florianópolis passa, daqueles que sonham com menos desigualdades no mundo e que, ao menos por alguns minutos, deixam de imaginar para tornar os sonhos de fotógrafos, poetas, cineastas e toda a sorte de seres humanos na realidade dos próximos dias.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 06/11/2008.

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