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Uma forma divertida de pensar os relacionamentos entre artitas e suas obras é colocando-os em duas categorias distintas, faces opostas da mesma moeda: os nostálgicos e os esperançosos.

Aos nostálgicos convém a inequívoca sensação de um olhar para si, mesmo quando se trata de entender o pensamento alheio. Esta forma de expressão artística está fundamentada no que seriam registros de sentimentos perdidos. Como se fosse possível colocar numa obra de arte tudo aquilo que a memória guarda de mais interessante, independente dos valores pessoais e julgamentos mais simplistas como belo ou feio, sensível ou bruto, humano ou demasiado humano. A nostalgia, alguém já disse, é lembrar muito mais do que poderia ter sido e não daquilo que de fato a história guardou.

Já os artistas esperançosos avaliam que toda a existência até este momento é um ensaio para aquilo que nunca chegaremos a ser e, mesmo assim, têm plena convicção dos tempos vindouros como um objetivo a ser perseguido. As produções artísticas dos esperançosos constituem de um verdadeiro painel da diversidade social; são sofismas invertidos, realidades construídas com base numa não-existência futura sincronizada com os desejos presentes. A esperança é um bem inalienável, assim como a arte também o é para os artistas e seus admiradores.

Por mais distante que pareça, esperaça e nostalgia são tão próximas que é impossível determinar quando uma termina e a outra começa. E estes artistas nada mais são do que viajantes do tempo, interessados não noutra coisa além da própria humanidade.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 20/11/2008.

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