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Ela está lá fora agora, ao mesmo tempo em que escrevo estas mal traçadas. Não que seja uma convidada a quem deixo esperando enquanto me divirto na frente da tela do computador. Muito pelo contrário. Ela sabe que seu lugar é solta, na liberdade inata de sua natureza.

Quando sozinha, esporádica, assemelha-se em suavidade às carícias de um grande amor. Onda de refrescância perene, sem hora certa de chegar ou sair. Mas quando acompanhada, principalmente daquelas companhias que não sabem o momento de ir embora, pode ser um tanto abrupta, mas nunca deixa de ser necessária como, veja só, os carinhos do mesmo eterno amor – pois todos o são.

Por estes meses idos e vividos, alguns a estão culpando pelos maus dias que têm se seguido. Ainda que não apresente modos ou face de vilã, acusam-na como a principal responsável de uma tragédia que não lhe diz respeito. Dão a sentença sem ao menos avaliar os pontos obtusos – e todos não têm o direito legal da dúvida?

Em determinadas épocas do ano, ela ainda é mais necessária. Bate-nos uma saudade de sua presença como naquela canção do Roberto na qual ele corre demais. Noutros períodos, costuma deixar muitos por aí mal humorados, feito aqueles que não conseguem assistir ao final do filme, sem saber se o casal principal terminou unido. Alguns querem-na aqui; outros acolá – mais para o Nordeste. Mas ela não faz nem pede cerimônia. Temperaturas altas ou baixas, dias quentes ou de bater queixo: podemos ou não contar com a sua presença; basta ela querer. Ela vem e vai embora como que cumprindo sua função: uma mensageira de recados doces e amargos.

Neste final de ano, ela visitou com mais freqüência algumas cidades catarinenses, principalmente aquelas do Vale, entrecortadas por rios. No meio de tanto destruição e tristeza, o lado humano de todo um país falou mais forte. Suas constantes visitas transformaram-se num alerta do nosso longo caminho de exploração. Mas não, não se trata de vingança. É apenas um lembrete de quem somos e onde estamos. Afinal, é preciso respeitar essa dama dos céus chamada chuva.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 04/12/2008.

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