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A luz do Sol nos chega aqui na Terra depois de oito minutos viajando pelo cosmos, numa velocidade de 300.000 quilômetros por segundo. Se toda a vida na Terra depende da energia solar para existir, então temos de admitir que vivemos graças a uma energia passada ou, até mesmo, ultrapassada. Elaborando uma ligeira teoria, consideramos que o passado é, por si só, mais interessante que o presente.

Que seria de nós sem nossos antepassados? Por quais ladeiras, estradas ou highways atravessamos se não aquelas já fixadas em estações passadas? E é por isso que a história é uma disciplina tão atraente: olhando para trás, enxergamos a possibilidade de compreender não o que já existiu e nem mesmo aquilo que existe, mas sim como chegamos até aqui. Feito a Dorothy de O Mágico de Oz, o caminho a seguir, seja de tijolos amarelos ou não, é o que nos emociona.

Como se fosse a primeira vez que penso no passado, uma nítida sensação de nostalgia se faz presente, com o perdão do trocadilho. Valha-me o anjo das estações, senhor de todo o tempo, o peso dos que já foram como sendo a grande riqueza que nos legaram. Não me refiro aos seus bens, móveis ou imóveis, mas às palavras registradas nos livros, nas canções de amor e guerra, em cada fragmento de memória. Éramos felizes outrora e, sim, nós sabíamos disso mesmo que incoscientemente.

Entre lembranças e saudades do que não tivemos, revela-se sobremaneira o sentido de urgência de todos os pequenos momentos idos e vividos. Feito a sombra que persegue, o que ficou para trás também grudou àquela nossa ideia mais íntima, união perfeita dos verbos ser e ter. Da chuva inesperada quando estávamos arrumados para uma festa, passando pelas brincadeiras inventadas numa época em que a imaginação voava mais alto que as contas do fim do mês, chegando até as juras de amor na madrugada de filmes ruins: tudo valeu a pena para as almas grandes.

E não há futuro?, perguntariam os descrentes da poesia histórica. Há, os sonhadores responderíamos em uníssino, mas tão somente para aqueles que ainda não nasceram, como um prêmio por terem chegado depois de tanta história passar.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 22/01/2009.

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