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E nem adianta insistir para fechar as fronteiras, bloquear as estradas ou mesmo construir uma muralha do tamanho daquela que existe na China. As mudanças, as mutações não podem ser contidas, ainda que seja o desejo da maioria. O ensejo do disso tudo, dessas situações que agora se apresentam nas notícias de crises e doenças, dissolve-se no ar feito líquido que aquece e se transforma no cinza que cobre as cidades ou, mais especificamente, essa Ilha de magia inventada com bruxos em disfunções profissionais.

O que sempre determinou os caminhos a serem traçados foi um desejo de sobrevivência impregnado na alma da carne, no vestígio físico de nossas células irrefreáveis. E é por vias assim que uns tantos sobem os morros, outros ocupam áreas de risco e uns poucos desistem de pensar nesses descasos em troca da comodidade. Aqueles que são fiéis com seus pensamentos teimam no livre-arbítrio como única fuga possível. Porque não importam certas regras quando o que está em jogo é muito maior e mais complexo que as vidas humanas num mundo louco de bombas atômicas e balas de gomas dividindo a mesma atenção.

Partindo do conservadorismo ancestral e atingindo níveis de fundamentalismos absurdos, os limites do que se convencionou chamar de bom senso foram há muito ultrapassados. As doenças que se proliferam, então, tendem a sugerir um contragolpe da natureza, demonstrando para aqueles ainda iludidos que nada nesse planeta acontece por acaso. Não há causa sem efeito, assim como é bobagem admitir uma pretensa passividade do meio ambiente.

O capitalismo, que apagou sonhos humanistas e colocou a culpa numa convenção disparatada que é o dinheiro, também trocou o apreço entre as pessoas pelo preço entre os produtos. Quando se consome também se é consumido. E consumado está o fado que fora desenhado desde a aurora do homem; este mesmo ente que ainda tem a atrevimento de chamar a si mesmo de homo sapiens. Que sabedoria reside na constante inversão de valores? Como enxergar inteligência na busca pela autodestruição? E nem é preciso ser muito esperto para entender do que estamos falando…

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 20/08/2009.

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