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“O jornalismo é a arte de informar o possível. Às vezes, porém, um repórter ou um grande homem de imprensa é tentado pelo impossível, pelo que não aconteceu mas interessaria a alguém que tivesse acontecido. Então aparece o sensacionalismo, a chantagem e a corrupção na imprensa.”

A frase acima é do editor do livro Imprensa Corrupta, de Donald Curtis. Não se trata, porém, de um estudo sobre as vicissitudes legais do mundo da mídia. O livrinho (126 páginas em formato de 15×10 cm, Cr$ 350 à época) é um destes corriqueiros enredos policiais que encontramos nos sebos em troca de algumas moedas.

Curiosamente ou não, a expressão a arte de informar o possível nunca dantes tinha passado por meus olhos em se tratando de que cursei por quatro anos uma faculdade de jornalismo. De fato, o senso comum privilegia uma idéia de que o jornalista tem de saber tudo sobre tudo e, por vezes, conhecer a verdade de antemão. Não almejo aqui discorrer sobre o conceito de verdade (s), mas sim sobre a idéia de possibilidades. Tudo o que é escrito tem um quê de arte e a informação existe sempre, quer queiramos ou não.

Desta feita, não há informação incompleta. Explico melhor: se uma agitação numa casa me salta os olhos, tenho ali uma informação completa. Porém, se quiser saber se aquilo é uma festa, quem está in loco, o que motivou aquela situação, (enfim, o famoso lead jornalístico), aí serão várias informações conjuntas que me derão uma visão geral deste micro-cosmo. Em princípio, todo conhecimento agregado é sempre bem-vindo. Daí entramos no que alguns chamariam de aprofundamento, outros de erudição – o que, convenhamos, nada mais são do que meros rótulos.

Por questões de meio e público, amiúde, o jornalista não pode se estender demasiadamente sobre um assunto; o que para os historiadores é mais necessário – ainda que o historiador também se detenha em algumas informações para construir verdades ou visões. Isso não impede que o texto jornalístico seja interessante e completo na medida em que se propõe a informar o possível, como bem colocado pelo editor do livro de bolso acima citado.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 15/09/2009.

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