Tags

, ,


Uma tradição que se vai com o passar das nuvens também tende a correr verbos soltos como um eclipse noturno em chão de plumas. Não é preciso saber gostar para se divertir com alheios devaneios perturbados. O que mais se consome em cima de si mesmo é deixar o vento sem asas, como quem escuta um redemoinho de canções fúnebres. Numa Ilha de pseudo-mágicos, já não há mais espaço para ciganos renitentes, porque uns poucos não têm palavras a lhes bastar.

Calcificado no chão de outrora está o vestígio do que não é, haja vista que foi. Perdulários inconstantes desabam rio abaixo numa cachoeira humana e úmida, sinal da metamorfose que balança sinuosos galhos em fotossíntese. Assim está sem bateria o remoto controle das instituições públicas – e não há plano diretor que altere o que se esconde n’ alma dos proxenetas. Acusados e promotores do estado versam ideias obscuras porque se tornam objetos de sua própria tese abjeta. E para tal crise não há vacina ou antítese que altere o alterego de quem nada em piscinas de seda.

Sob o escaldante aroma da cor vermelha, protestos ocultos querem saber de educação atraente para crianças do hoje, porque elas já não sonham com chuvas de brigadeiro: é necessário desviar das balas de fuzis, furiosas ninfas que não perdoam inocentes. E volantes embriagados pelos delírios da madrugada desfalcam famílias com histórias de botequim que fazem feio até mesmo se comparadas aos insucessos dadivosos de pescadores bem-humorados. Mas que paixão é essa de torcidas rivais que exaltam vícios irritantes, destes que se querem esquecidos no outro lado de lá do arco-íris?

Sempre solitários de sorrisos e outros aconchegos, cidadãos antigos e atuais deste sul surrealista colaboram em centenas de processos escusos, contrariando invernos longos, esquentando dias que se repetem indefinidamente. A natureza chora sozinha ao ver com óculos escuros seus filhos lutando uns com os outros, gladiadores de batalhas lácteas, num universo ensimesmado de seus atos; atores fugidios que encenam acenos de paz.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 24/09/2009.

Anúncios