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E é mais uma história de pescador. Ou não. O fato é que Valdir, empresário famoso na região da Grande Florianópolis, possuía um apartamento na Avenida Beira Mar. Diziam as fofoqueiras de plantão que daquele local, exatamente a meia-noite, o homem saía voando pela janela do seu quarto e retornava algum tempo depois. Como se pode constatar atualmente, não há nada que comprove essas ocorrências, pois nem mesmo Notícias do Dia divulgou tal coisa.

Um mês. Um semestre. Um ano. O tempo passava e Carlos, pescador que vivia madrugando no mar da mesma avenida, continuava a ver aquele estranho fenômeno acontecer nos céus da Ilha de Santa Catarina. Entretanto, Carlos não contou o fato para ninguém, pois algum mané poderia chamá-lo de doido varrido.

Numa sexta-feira 13, porém, antes de entrar no seu barco, o pescador tomou coragem e decidiu falar com Valdir. Tocou o interfone da Cobertura 1666. Ninguém atendeu. Casualmente, Valdir chegava em frente ao prédio e os dois se encontraram. Olho no olho, ambos ficaram parados por uma fração de segundo. Uma pomba voava por ali, mas isso não tem nada a ver com a trama.

– Olha, seu Valdir – disse Carlos com uma fala rápida e respiração agitada. – Toda noite sai uma coisa voando da janela do seu apartamento. O senhor poderia me dizer que diabos é aquilo?

– É uma coisa – respondeu Valdir calmamente.

– Ah, uma coisa.

– Isso. Exatamente uma coisa.

– E que coisa é essa?

– Essa coisa é um negócio meu.

– Um negócio teu?

– É, meu. E um negócio grande.

– Um negócio grande que voa?

– Isso. Mas é um negócio colorido, bem grande e que voa.

– E que negócio é esse?

– Uma coisa.

Algum tempo depois, um outro pescador que era amigo de Carlos viu uma coisa saindo pela janela do apartamento de Valdir. Ele então foi comentar o fato com seu amigo de trabalho. Carlos contou-lhe logo a verdade:

– Não se preocupe, meu caro amigo. Aquela coisa que sai voando é um negócio colorido bem grande e que voa.

Pouco antes de ir deitar, Valdir continuou a fazer o que já era de costume nas suas noites. Ele pegou a linha, jogou a pipa no ar e ficou brincando alegremente com seu brinquedo colorido bem grande que voava.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 01/10/2009.

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