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Não é possível acreditar em tudo o que dizem, sejam políticos, poetas ou profetas. Em tempos antigos, fizeram-nos crer que a terra era chata, quando “eles” eram os verdadeiros chatos. Nos mal chamados descobrimentos, como em outras épocas, desculpas esfarrapadas imprimiam coerência à escravidão. Os gregos antigos, em tempos de filosofia aplicada, acreditavam na democracia, mas mulheres não podiam exercer o direito do voto. No Brasil de hoje, de acordo com a Constituição, a administração de cada município deve investir em Educação pelo menos 25% do que arrecada com impostos e transferências constitucionais. Para a Saúde, a Constituição exige um investimento superior a 15% da despesa própria. Assim, sabemos que é preciso ir além da imaginação para construir uma cidade, seja esta uma capital como Florianópolis, ou um município pequeno, destes que o número de cargos de uma prefeitura é equivalente ao número total de eleitores.

Governos provisórios indicam apenas o quão despreparados estamos para lidar com as diferenças. E, indiferentes, fingimos alguma surpresa com os desatinos que pipocam diariamente em acidentes de trânsito, assaltos seguidos de morte, etc e tal. Mesmo o continente americano ainda não assumiu o papel de si mesmo, como podemos verificar neste exato momento com a crise institucional em Honduras, na qual o presidente teve de se esconder na embaixada brasileira. Qualquer dia, mesmo prefeitos e vereadores terão de buscar refúgio em cidades vizinhas. Para tanto, basta a cidadania entrar na pauta da vez, porque direitos e deveres são duas faces da mesma moeda.

Como contar poesia se os versos já não são tão bonitos? As rimas foram subutilizadas com a lábia dos malandros. Um universo de bobagens destrói poemas com verdades inventadas, bem como falsos profetas não logram êxito em situações constrangedoras, dessas que os mandatários do poder público não cumprem o que prometem. Não há crise sem embate, não há conquista sem algum esforço, não há porque temer o desconhecido se qualquer convicção fizer parte de nosso vocabulário. Assim, Ilha vira continente, e todos aqueles que vivem em Florianópolis serão governos de si mesmos, indo muito além do que imaginávamos.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 15/10/2009.

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