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Quando fui convidado a integrar uma equipe de jornalistas e pessoas ligadas à comunicação para cobrir o 2º Fórum Social Mundial (FSM), em Porto Alegre (RS), o mundo era um bocado diferente. Os ainda recentes atentados às cidades estadunidenses no fatídico 11 de Setembro de 2001 determinavam um (pseudo-) começo de uma nova era planetária, com o medo ocupando um papel fundamental na relação entre grandes potências e países de um mal chamado “eixo do mal” – e, aqui, convém lembrar que, durante a 2ª Grande Guerra, os países ligados à Alemanha nazista eram chamados de “Eixo” (qualquer semelhança seria mera coincidência?).

Agora, durante a décima edição do FSM, também na capital gaúcha, encontro-me como um espectador dez anos mais velho e com certas certezas que se perderam no caminho, dando lugar a um sentimento que mistura contraditoriamente sonhos e realidade, ativismo e governo, sorrisos de alegria e outros sarcásticos. Por falar em sarcasmo, devo mencionar a participação do site SARCASTiCOcomBR (aquele que aparece sempre depois do meu nome nestas crônicas do Notícias do Dia) como fundamental para o estabelecimento de uma visão de mundo, reunindo observação de um cotidiano a longo prazo através do contato humano proveniente dos meios de comunicação.

E a comunicação sempre foi uma esfera constante em todas as edições do Fórum, mesmo aquelas não realizadas em Porto Alegre. Porque as obrigações da vida, como as contas no final do mês, a saúde a ser sempre levada a sério, isso tudo parece ser mais urgente que a comunicação. Mas é ledo engano não perceber que, mesmo este jornal que o leitor tem em mãos é essencial na construção de novo mundo possível – que é, essencialmente, o tema central do FSM. A falta de formação cultural inibe aos questionamentos sociais e ao direito pleno de democracia. Mesmo a Internet, que permite acessar “a quase tudo” produzido pela humanidade, não tem efeito de transformador social se a ausência de instrução levar à dispersão. Logo, o acesso verdadeiro ao mundo passa tanto pela formação quanto pela democratização da comunicação. É o que as pessoas que estão aqui no Rio Grande do Sul desejam.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 28/01/2010.

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