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O Carioca chegou de madrugada na Ilha e, como não conhecia a cidade, resolveu andar um pouco à procura de um táxi. No meio do caminho, não havia pedra alguma, mas sim um bêbado que veio ao seu encontro equase lhe derrubou após um forte esbarrão. Metros mais tarde, não tardou a veros táxis parados ao lado da Praça XV de Novembro. Perguntou ao taxista em que lugar ficava hotel X, pois havia reservado uma suíte para essa passagem pela Ilha. A trajetória foi curta, apesar de umas voltas espertamente desnecessárias do taxista: passou pela frente do Terminal Rita Maria, por baixo da Ponte Hercílio Luz (que, bravamente, ainda está de pé) e desceu na frente do hotel com apenas uma pequena maleta que vinha carregando na mão esquerda – teve que virar canhoto quando uma jogada brusca no xadrez lhe fez perder alguns movimentos da mão direita.

Na recepção do hotel, retirou os documentos da maleta e assinou as papeladas para se registrar na suíte principal. Não era assim tão rico, mas possuía um bom emprego na Cidade Maravilhosa. Mal terminara de guardar a caneta no bolso do sobretudo, fora abordado por duas belas morenas sorridentes. “As moças da Ilha são interessantes”, pensou o Carioca sem saber nada como realmente são as cidadãs que moram neste pedacinho de terra que beira o mar. Ambas estavam de minissaia, uma preta e outra vermelha, mesmo que fizesse muito frio naquele junho. Porém, o mais provável é que elas estivessem pegando fogo, paradoxalmente. O que fizeram a seguir, o Carioca e as duas belas damas, não convém dizer. Mas é fato que, passado muitos anos daquele episódio, o Carioca ainda lembraria daquelas mulheres com algum sorriso no rosto.

A manhã seguinte na Ilha reservou ao visitante apenas uma rápida reunião de negócios. Empresário do ramo de imóveis, o Carioca firmou parceria com uma construtora local de “resorts” no litoral ilhéu. Satisfeito ao saber que existiam mais de 40 praias a ser exploradas apenas na parte da cidade cercada pelo mar, o Carioca deixou a Ilha sem conhecer quase nada, mas ciente de que o mais importante (para seus negócios) levara consigo.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 04/02/2010.

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