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Existe uma máxima de que nos momentos de crise as pessoas se fortalecem. Assim, como se fosse necessária uma tempestade periódica e cíclica, alguns refazem planos, outros cometem os mesmos enganos, e o tempo esconde as crises, ano após ano. Tal dose de desventura pode parecer um tanto de masoquismo, quando isto nada mais é que o receio encravado nas mentes humanas, sutileza avassaladora que fez Shakespeare colocar no papel as seguintes bem traçadas: “Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar”.

Entretanto, também necessitamos de cautela, porque os resultados dos apressados estão por toda parte: má distribuição das riquezas naturais, a exploração equivocada de bens universais, o crescimento desordenado nas cidades, o êxodo das áreas rurais… e tudo aquilo que os jornais e os movimentos sociais não nos deixam esquecer.

Uma visita rápida no Arquivo Público, ou na Casa da Memória, ou mesmo em páginas da internet oferece uma visão nítida do que era Florianópolis antes da crise. Ilha de beleza singular, a cidade cresceu cercada pelo mar e sem pretensões de grandeza. Mas aí o Continente foi agregado, as pontes surgiram para facilitar o acesso e um sem número de agravantes desmistificou a falsa imagem de paraíso na terra. Evidentemente que avanços públicos também marcaram presença. E aí estão as universidades (federal e estadual), os colégios, os hospitais e outros pertences da comunidade que colocam em prática o que dizem os teóricos da cidadania.

Mas crises não são passageiras, como muitos podem pensar. Sempre há crise, e é esta crise que move as engrenagens da sociedade. Crises refazem os amores perdidos, reinventam os conceitos ultrapassados, recolocam os dias novamente no calendário. Qualquer cidadão de Florianópolis, mesmo aqueles que não moram na urbe, são agentes da crise; pessoas comuns que convergem por caminhos diferentes, buscando um entendimento inexistente porque já aprendemos a conviver com esta invenção humana chamada crise.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 11/02/2010.

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