Tags

, , , ,


Escrever sobre o clima é chover no molhado, principalmente se o tempo for chuvoso. Colocar expressões do ambiente, quase no estilo de um designer de interiores, pressupõe conhecimentos do que é e do que não é, interpretando as opções do indivíduo em releituras exteriores. Organizar as características de uma personagem qualquer, dessas de romances baratos vendidos em bancas de revistas, não é apenas a glória da mediocridade, mas também um exercício de humildade humana ou intencionar o zelo pelo senso comum.

Nalgum momento da história, as impressões digitais serão esboços ou divagações elaboradas por complexos computadores. Amantes da tecnologia serão surpreendidos pelo desenvolvimento destas impressões, porque seguirão à risca os principais conceitos criados por homens e mulheres ao longo do fio do tempo-memória-livros-bytes. O pensamento binário não inibirá essas impressões das vaidades típicas, porque mesmo máquinas elencam situações e premissas como fossem verdades universais, coisas que não se alteram sem a quebra de paradigmas ou a descoberta de universos paralelos.

A última nova estação revela uma paleta de cores até então desconhecida por artistas da era presente. Matizes e tons resultantes transfiguram as paisagens em futuros imprecisos: teorias inventadas a cada nuance de cor. E os caminhos ganham novos traçados à medida em que as revoluções por minuto completam uma volta completa.

Depois de um café da manhã aprazível tendo a baía ao longe por cenário, o meta-humano aposentado adianta-se ao tempo e sai à rua com o guarda-chuva sob o braço, mesmo que o sol desponte em sua própria soberania. Súdito do astro-rei, o meta-humano imagina-se noutros tempos, quando era um herói em plena ação, aprisionando vilões que se faziam passar por políticos de cara limpa. Terminada a alucinação, aceita a existência que lhe foi inventada sem que lhe dessem outras opções. E a história que se apresenta sem pé nem cabeça, sem eira nem beira, com muito diz-que-me-diz, termina numa explosão no céu, feito uma comemoração de fim-de-ano, feito um texto que se quis crônica porque feito para o jornal.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 27/05/2010.

Anúncios