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Com a invenção dos tipos móveis de imprensa, concebida por Gutemberg no século XV, a crônica não tardaria a ganhar as páginas dos jornais. A França foi pioneira na utilização da crônica como texto jornalístico no século XIX. Naquela época, contudo, era o folhetim (feuilleton, em francês) que recebia esse aspecto de texto que aborda os mais diversos assuntos de modo a entreter o leitor.

Ao folhetim era comum reservar um espaço livre no rodapé do jornal. Ainda no século XIX, havia dois tipos distintos de folhetins: o folhetim-romance e o folhetim-variedades.

O folhetim-romance era aquele no qual se publicava um romance em capítulos. Já o folhetim-variedades consistia em abordar de forma livre e descompromissada os fatos e as notícias do cotidiano, fossem da cidade, do país ou do mundo. Esse gênero de folhetim originou a crônica tal qual a conhecemos atualmente.

O Brasil foi profícuo em folhetinistas no século XIX. O fundador da Academia Brasileira de Letras, considerado por muitos como o maior nome da literatura do país, Machado de Assis, escreveu durante vários anos para jornais com seu texto irônico e refinado. Outros tantos nomes da literatura daquela época, como José de Alencar, Olavo Bilac e Aluísio de Azevedo também publicavam folhetins durante o final do Império e início da República no país.

Na passagem do folhetim para a crônica genuinamente brasileira, um nome merece ser destacado: Paulo Barreto, mais conhecido como João do Rio. Atento às transformações pelas quais passava o Rio de Janeiro no início do século XX, João do Rio ia até os lugares onde os fatos aconteciam para dar mais vivacidade aos seus textos. Estava adicionado o viés “literário” que seria desenvolvido posteriormente por cronistas como Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino e muitos outros que fizeram da crônica uma arte diária do fazer jornalístico.

A cidade, principalmente as metrópoles e capitais, atraíram os mais variados tipos de pessoas e culturas. Coube aos cronistas modernos captar essa variedade cultural da urbe e as transformações advindas dessas migrações no país.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 01/07/2010.

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