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Naqueles tempos que só têm registros nas lendas contadas de geração para geração, ou nas histórias fantásticas de algum pescador do Sul da Ilha de Santa Catarina, existia o reino de Marifim, o único na Terra das Flores, cujas ondas do oceano prazerosamente faziam-lhe companhia num contínuo vaivém.

Exatos sete anos solares depois da Guerra dos Mares Unidos, os sete cavaleiros das trevas anunciaram seu retorno. A paz sofrera um golpe. O reino de Marifim soubera da vinda dos sete cavaleiros e todos se esconderam. Até mesmo o exército real fugira do confronto contra os cavaleiros que eram vistos como seres que venderam suas almas ao diabo em troca da vida eterna. Morasto, o Grande Rei de Marifim, não teve escolha e foi lutar sozinho contra os sete cavaleiros enquanto o sol se apagava ao longe. Anarim, esposa de Morasto, ficou a ver navios posto que seu rei disse-lhe Adeus.

Foi um duelo de espadas justo, cada cavaleiro enfrentava Morasto sozinho e os outros não interfiriam. A habilidade do rei era notável e os cavaleiros foram tombando um a um. Porém, o último cavaleiro era mais hábil do que os demais. Sabia quando Morasto ia usar determinado golpe com a espada, parecia prever seus movimentos. Os dois lutavam e se aproximavam cada vez mais dos Mares Unidos.

As sete ondas então começaram a surgir. Morasto não tinha escolha e, entre sua própria e vida e seu reino, optou pelo drama dos heróis. Após a morte do Rei, Anarin sentia-se cada vez mais triste, pois não conseguia viver sem o seu grande amor. Assim, esperou todos irem dormir no castelo real e foi até os arredores do reino ver o mar. Trazia consigo sete orquídeas que pegara no caminho. As sete ondas começaram a surgir. Para cada onda, Anarin jogava uma orquídea no mar. Uma, duas, três, quatro, as flores e as ondas iam se unindo. Cinco, seis, apenas uma ultima orquídea permanecia na mão de rainha. Anarin não jogou a última orquídea e ambas foram juntas para o fundo do mar.

E é por isso que se pulam sete ondas na virada do ano para que seu pedido seja atendido. O pedido de Anarin era reencontrar o seu grande amor. E ela o reencontrou.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 15/07/2010.

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