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Causa-me, ainda, alguma surpresa o fato de algumas pessoas inflarem o peito quando da defesa de suas opiniões. Muitos de nós, e aqui a inclusão do autor é necessária, carece de levezas tipicamente socráticas, daquelas que só sabemos o quanto nada sabemos.

Talvez, certas convicções sejam apenas falácias auto-afirmativas. Talvez todas sejam. Entretanto, a proximidade dos meus 30 anos tende a me avisar que é preciso ser cada vez mais tolerante. Assumir uma postura de desleixo responsável, de quando em quando, até que é bom.

Discursos e retóricas são elementos que deveriam existir apenas nas histórias de ficção ou, quando muito, numa ou noutra conversa de bar. Porque aos bares convém a liberdade das frases soltas em conjunto com a crítica assaz dolorosa, qualquer coisa de transformar sensações (embriagadas ou não) em lágrimas de riso.

Àquelas mentiras sinceras que agradavam um ou outro cantor de MPB reservamos os espaços das canções que falam de amor. Aparentemente, a compreensão de que só existem verdades ou inverdades tende a diminuir ou aumentar com o passar dos anos, das desilusões amorosas, das leituras das palavras e do mundo.

Exageros à parte, a condição dos seres humanos nestas vivências pelo espaço-tempo, para utilizar um conceito tão caro à ciência, é a ausência de revelações, pois que homens e mulheres não estão adaptados para os segredos mais ocultos. Mesmo o mais darwinista dos darwinistas jamais poderá supor o nível de adaptação necessário para uma mente assumir o risco das questões universais e, consequentemente, de suas respostas.

Ninguém admitirá estar totalmente certo ou totalmente errado sobre qualquer assunto, por mais banal que seja. Mesmo a crônica de um jornal suscitará embates desastrosos, dependendo das potências das vontades envolvidas. E o único a terminar qualquer história sorrindo em completa satisfação será aquele ente endiabrado, que atende pelo nome de Senhor das Guerras e que, assim como muitas pessoas que conhecemos pessoalmente, é o primeiro a estufar o peito e proclamar em alto e bom tom:

– Eu não disse que estava certo?

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 29/07/2010.

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