Tags

,


Não sei porque as pessoas vão à praia no inverno. Isto é um inferno. Um inferno congelado de areia e mar. São todos uns loucos. Sem tempo para amar. Sem tempo para viver. São tolos, para simplificar. Eu venho aqui só por causa do barulho das ondas do mar. Não sei exatamente quando foi que aconteceu, mas fiquei viciado no ritmo que as ondas fazem quando chegam na terra. Sinto como se estivesse numa nau portuguesa da época das grandes navegações. Discuto com Colombo a melhor rota. Jogo baralho com Vasco da Gama. Sou um nostálgico estúpido. Na verdade, preciso do marulho para me dedicar à leitura das poesias.

Em trajes claros, noutro dia, ela se aproximou e me pediu que lhe acendesse o cigarro. Foi assim que a conheci; embriagados pela ponta do oceano que nos vinha em ondas e mais ondas. Chamar tal sentimento de amor seria exagero desnecessário. O tempo que passa é quem define as estações, as sensações, as ações. É mesma velha imagem da nau sem destino a procura de si.

As mulheres são indivíduos que me causam infinitas indagações. Não sei se nós homens é que somos burros ou se as leis do mundo são feitas para agradar essas criaturas que levam os filhos na barriga. Não entendo porque uma mulher chora, nem sei porque seu rosto fica corado quando alguém lhe faz um elogio. Nem sei quando as coisas entre nós começaram a anuviar. O céu de nossa relação tornou-se lúgubre e a convivência insuportável.

Eu, homem de cidade grande, conhecedor de muitas lendas e histórias, não sou capaz de compreender como o universo feminino é vil e belo. Vil e belo como os espinhos e as pétalas de uma rosa.

Entre a tristeza e a felicidade, eu fico com a segunda opção. Entre tantos poetas, sou aquele que vive mais intensamente os sentimentos. Em brasa, meu coração chama. Qual a chama que arde amargamente em meu peito?

De que me adiantaria amar todas as mulheres de uma só vez? O que sinto é maior que louras, ruivas, morenas e ardentes juntas. Quero as perguntas das respostas que possuo. Quero tudo tão simples como quando leio as poesias. Quero deixar de ser fraco e ser eu mesmo. Nem sei porque quero tanta coisa. A única coisa que eu queria de verdade era amar, mas eu nunca aprendi direito e ninguém me ensinou o que era o amor.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 19/08/2010.

Anúncios