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Não é propriamente um assunto novo, mas que seja atual. Certamente contemporânea, e fruto deste e do outro século que o antecedeu, há por aí uma questão que incomoda demasiadamente aos moradores dos grandes centros, aqueles que passam diariamente pela urbe de concreto, os que perdem tempo justamente porque não aproveitam as circunstâncias. Da mesma forma, justificam alguns, essa questão é um mal necessário, subproduto que não chegou a ser. E o trânsito, pois, toma nossas horas quando estamos presos num engarrafamento, quando conversamos com aqueles que nos cercam ou, veja só, quando o cronista quer fazer dele assunto para sua prosa.

Um paulistano, ou corintiano, ou palmeirense (a piada só se justifica aos que gostam de futebol), ou mesmo aquele de qualquer parte que, como os outros, vive na megalópole chamada São Paulo pode até achar graça quando os que moram na Ilha e nas suas cidades vizinhas reclamam do tempo que passam no trânsito. Cansamos de ver pela televisão aquelas filas de veículos na paulicéia, sequência de vidas presas por um semáforo ou um acidente às margens do Rio Tietê. Se tal cena ainda assim é corriqueira e distante aos olhos dos que vivem nesta região litorânea de Santa Catarina, ao menos nos faz perguntar o rumo inevitável desta questão e nos apresenta um futuro que já parece fazer parte do presente, dadas as suas devidas proporções.

É hora, então, de elencar alguns pontos: Florianópolis é a capital do estado cujas entradas e saídas se dão através de duas pontes; Todos os órgãos públicos mais importantes para o cidadão, incluindo a sede do Governo do Estado, estão distribuídos pela Ilha; Milhares de moradores das cidades vizinhas vão e voltam do trabalho em plena Ilha; Florianópolis é, em alta estação, local procurado por turistas do Brasil e do mundo que, muitas vezes, chegam à cidade com seus próprios veículos. E ficamos com apenas esses porque o prejuízo já está grande á beça.

Com tantos problemas viários a resolver, não é de se estranhar que o assunto esteja na boca do povo e, também, nas páginas dos jornais, mesmo que seja dentro de um caderno de cultura. E, por falar em cultura, surge a grande questão cultural da qual o título faz referência: E se o trânsito for menos importante do que todo o resto? Não devíamos estar mais preocupados com a qualidade da educação (donde pode melhorar toda a sociedade) e da saúde que são nossas essencialidades soberanas? Posso estar enganado, mas ficar uns minutos no trânsito está bem longe de ser a grande questão.

> Crônica publicada no Jornal Notícias em 19/05/2011.

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