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O Brasil foi profícuo em folhetinistas no século XIX. O fundador da Academia Brasileira de Letras, considerado por muitos como o maior nome da literatura do país, Machado de Assis, escreveu durante vários anos para jornais com seu texto irônico e refinado. Outros tantos nomes da literatura daquela época, como José de Alencar, Olavo Bilac e Aluísio de Azevedo também publicavam folhetins durante o final do Império e início da República no país.

Na passagem do folhetim para a crônica genuinamente brasileira, um nome merece ser destacado: Paulo Barreto, mais conhecido como João do Rio. Atento às transformações pelas quais passava o Rio de Janeiro no início do século XX, João do Rio ia até os lugares onde os fatos aconteciam para dar mais vivacidade aos seus textos. Assim, o autor “construiu uma nova sintaxe, impondo aos seus contemporâneos uma outra maneira de vivenciar a profissão de jornalista. Mudando o enfoque, mudaria também a linguagem e a própria estrutura folhetinesca”, conforme escreveu Jorge de Sá no livro “A crônica”, da Série Princípios. Estava adicionado o viés literário que seria desenvolvido posteriormente por cronistas como Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Luis Fernando Verissimo e muitos outros que fizeram da crônica uma arte diária do fazer jornalístico.

Outro estudioso das crônicas, o jornalista Mário Pereira destacou o seguinte no livro “Ao pé da letra”: “Gênero urbano por excelência, foi a partir da década de 30, após Getúlio Vargas liquidar a República Velha do café-com-leite de gosto provinciano, enquanto as cidades cresciam e começava lentamente a industrialização do país, que a crônica se consolidou como segmento independente na imprensa nacional, quando esta acelerou a busca da oralidade na escrita, aproximando o padrão culto da linguagem do falar das ruas num processo deflagrado pela Semana de Arte Moderna de 1922”.

A cidade, principalmente as metrópoles e capitais, atraíram os mais variados tipos de pessoas e culturas. Coube aos cronistas modernos captar essa variedade cultural da urbe e as transformações advindas dessas migrações no país.

A espontaneidade do texto da crônica dá o equilíbrio necessário para a união do literário com o coloquial. A abordagem aparentemente descompromissada da crônica não implica em textos medíocres. Escrever de forma simples, nesse caso, torna-se tarefa árdua para esses escritores do cotidiano chamados cronistas. Mas existem alguns insistentes que ainda continuam a fazê-lo.

> Crônica publicada no jornal Notícias do Dia em 28/07/2011.

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