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Todo conhecimento é mesmo efêmero quando pensamos na História e, sob a ótica da demagogia, todo intelectual é um demagogo em maior ou menor escala.

Independentemente que o relativismo seja questionado (e por que tudo o mais não o seria sempre? – afinal, é isso o que sempre fizeram as artes e as ciências), quanto mais elaboradas as teorias mais surreal parece-nos a realidade. Por aí eu até entendo o Theodor Adorno em relação ao mundo e seu pessimismo carrancudo – coisa típica de um artista frustrado, parece-me.

Entretanto, são momentos de alguma reflexão, quando lemos alguma teoria (e elas podem ser muito divertidas), que fazem a gente lembrar do poeta Fernando Pessoa ao citar navegadores antigos e seu lema: “navegar é preciso, viver não é preciso”. Pessoa interpretou a frase com seu talento poético e trocou a navegação pela criação. Donde se pode tirar que, quando mais nada importa, é justamente no ato de criar que a experiência humana se completa. As buscas por significado, sobretudo, são nulas porque não se validam. A filosofia quase sempre diagnosticou esses deslizes humanos, quer seja na imaginação fértil e religiosa de Sócrates, ou no materialismo de Marx, ou no anti-cristianismo de Nietzsche.

Colocando as coisas em perspectiva histórica (não necessariamente um relativismo cultural), toda criação não deixa de ser engraçada. Tão engraçada que chega a ser risível pensar que nalgum momento a criação inicial tenha sido oriunda de uma grande explosão e tudo não passava de caos (o Big Bang, pois). Eis o que nos apresenta a evolução indelével esboçada por Darwin ou uma pseudo-pureza de conceitos pregada por Rosseau.

De tal feita, percebemos que mesmo os grandes gênios, como Leonardo Da Vinci tão claramente representa, eram assim considerados por especializarem-se em determinadas interpretações e alguns poucos estudos cada vez mais aprofundados. Mesmo Sir Arthur Conan Doyle disse num texto que o talento dedutivo de Sherlock Holmes poderia soar mais como uma questão de fascínio do que propriamente de sabedoria. Holmes logo de cara, na história intitulada “Um estudo em vermelho”, na qual o detetive de Baker Street aparece pela primeira vez, revela que só guarda na mente o que lhe pode ser útil para sua profissão. E, mesmo assim, o companheiro de Watson passa por brilhante feito qualquer estudioso de academia.

Com tanta teoria, o que resta-nos?, alguém hei de perguntar. E, pelo menos para mim, tenho a resposta: partir para a ação.

> Crônica publicada no jornal Notícias do Dia em 25/08/2011.

 

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