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Em algum momento, sempre, paramos o que estivermos fazendo e olhamos para trás, não com aquela saudade que todos carregamos, mas tentando entender como chegamos até aqui, quais nossos erros e acertos ao longo do caminho, quais as desculpas inventadas e as culpas assumidas em nossa própria história e nas histórias daqueles que nos rodeiam.

Foi pensando em algumas questões soltas como estas que tive a ideia, a vontade e, por fim, a necessidade de escrever esta carta aberta para minha sobrinha, mas que pode ser também um exercício de análise pessoal, feito uma anotação num diário que escrevemos para nós mesmos.

Por isso, sobrinha, entenda estas palavras não como conselhos ou sugestões de alguém que é um pouco mais velho que você. Tenho comigo que o conhecimento só é adquirido quando compartilhado espontaneamente, e não forçando a barra feito aqueles manuais chatos ou livros de autoajuda que explicam o que já estamos cansados de saber.

Do que me orgulho ainda hoje não são os grandes feitos, uma odisséia pós-moderna ou um desmesurado enaltecimento por qualquer coisa que tenha chamado a atenção. Pelo contrário, guardo comigo bem junto ao peito os sorrisos que dividi com minha mãe e meu pai, as conversas longas e prazerosas com meus avós e irmãos, os minúsculos e divertidos encontros com amigos, familiares e pessoas a quem desejo o bem.

Com meus parcos saberes adquiridos nestes trinta anos de existência, procuro não pensar demasiadamente nas faltas que cometi, porque muitas nem mesmo foram intencionais. Ainda assim, as desventuras são partes importantes de um todo complexo e incompleto. Mesmo aquilo que pareceu menos relevante à época acaba tendo alguma influência no tempo presente.

Do que mais gostei de aprender foi o respeito das pessoas para comigo e na troca que pude e posso oferecer. O respeito é universal, porque ele vem de qualquer direção, não distingue o novo do velho, o feio do belo, o rico do pobre, o bom do ruim. Ah, e como ele faz bem para a alma!, isso eu posso te garantir.

Minha cara sobrinha, olhe a sua volta e veja quantas coisas a sua geração conquistou que a minha sequer sonhava. O bom da história é que o tempo não se prende ao passado. Estamos numa marcha para frente, ao menos até que alguém prove o contrário. E você também, sobrinha, um dia fará as mesmas perguntas que eu faço agora. As respostas, provalvemente, serão outras, mas, então, você abrirá um sorriso no rosto como eu faço agora, sentindo uma sensação de felicidade que nenhuma outra pessoa poderá compreender.

> Crônica publicada no jornal Notícias do Dia em 09/02/2012.

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