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Tenho comigo que 98% das pessoas que brigam fisicamente são exemplos evidentes da imbecilidade humana. Os que ficam de fora tentam evitar a guerra com outra guerra. Isto me lembra do Benvólio, primo daquele Romeu casado com aquela Julieta, nobre da família dos Montéquios que, armado, tentava apartar uma contenda com os rivais Capuletos, no que era caçoado por Tebaldo, primo de Julieta: “Falas de paz com a espada em punho?”, ou seja, a explicação de uma briga não tem qualquer razão válida, nem mesmo a paz.

O fato é que as pessoas brigam porque não se esforçam para encontrar um bom argumento. É, evidentemente, muito mais fácil para os avantajados fisicamente entrar num típico quebra pau, como estes conflitos são definidos pela linguagem popular, do que pensar numa boa resposta ou, mais importante ainda, num bom questionamento. Acho geniais aqueles momentos nos quais as palavras têm mais impacto do que um boxeador acertando em cheio seu melhor Uppercut (soco no queixo dado de baixo para cima). Mas estas situações são raras.

Quando as brigas têm por cerne a disputa limpa e justa, como convém a qualquer esporte, é claro que a regra dos 98% não se aplica. Afinal, cada um sabe de si e como quer utilizar o seu corpo. Entretanto, repudio aqui a bem chamada violência gratuita: o irresponsável apetite humano pelo conflito que só o leva aos lugares destinados para os grandes idiotas. Quando vejo duas pessoas ou mais desferindo golpes, quase sempre os imagino longe dos prazeres culturais. Não acredito que um destes ignóbeis briguentos possa ser íntimo das artes. E não se trata de preconceito meu para com lutadores e seus similares. Pelo contrário. Historicamente, tivemos guerreiros, militares e afins tão bem educados quanto os maiores pensadores de seu tempo. Alexandre, o Grande, que o diga. O lendário rei da Macedônia foi instruído pelo filósofo Aristóteles e, ainda assim, era um conquistador que liderava seu exército no campo de batalha, sendo que ele mesmo entrava nas brigas que lhe deram um dos maiores impérios de todos os tempos. Eis que mesmo os intelectuais podem ser idiotas o suficiente para sair no braço com aqueles que lhes sejam contrários. Mas os amantes das artes, ah, estes não entendem como as pessoas podem ter tempo para brigar com tantas coisas interessantes no mundo.

Por fim, só posso compreender estes brigões como sujeitos mal humorados. Porque eles não riem de nada acabam esmurrando a si mesmos quando brigam e o sangue em suas mãos será tão deles quanto de seus adversários. É quando o idiota sai vencedor.

> Crônica publicada no jornal Notícias do Dia em 23/02/2012.

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