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Convenhamos, você e eu, que todo pensamento, em essência, é não mais que imperfeito. E isso devido a uma relação intrínseca ao ato de ler/escrever. Afinal, todo texto é literatura e toda literatura é sobre aquilo que não se sabe, que não se tem certeza. O termo literatura advém de littera – letra, em latim – e são as letras que formam as palavras, mesmo que a escrita tenha surgido depois das primeiras línguas humanas. Resumindo tamanho quiproquó literário, pensamos por palavras e, portanto, nossos pensamentos são imperfeitos.

Naturalmente, há três tipos de ideias fundamentais que ora dão as caras na história da humanidade. Do primeiro tipo, temos aquelas que logo se difundem e se tornam de domínio público – sem dar margens às questões de Copyright. Numa segunda linha, outras são deixadas de lado, ressurgindo de tempos em tempos com nova roupagem. Por último e não menos importante, aparecem as ideias cruciais, cuja simples menção causa furor nas elites e, portanto, possuem vida pública curta, permanecendo na marginalidade do pensamento global.

A medida de todas as coisas é o conjunto de suas relações sociais. Cada nuance do dia a dia histórico apresenta-se inerente à continuidade do tempo. Numa primeira e ligeira passagem de olhos, a História é nada mais que um amontoado de datas que marcam grandes episódios.

Invariavelmente ou não, variações de um mesmo modelo sempre causam incongruências quando de sua realização. O desmantelamento de estruturas sociais é feito sem medida e de forma desregrada pelos órgãos governamentais. Preocupações estéticas, culturais, sociológicas são esquecidas, coladas num canto qualquer da parede quando o patrimônio público é deixado nas mãos político-empreendedoras que ora sim, ora também conduzem o Estado. No macro e no micro a ordem é a mesma, ainda que sejam salvaguardadas as devidas proporções.

Nesta “polis” de Floriano, outrora Meiembipe ou Ilha dos Patos, não há sombras de dúvidas que a província ainda permanece no imaginário coletivo. A miudeza de pensamentos atravessa o tempo, mas o passado é remodelado ao bel prazer das autoridades.

Há muita imperfeição espalhada por aí, sabemo-los todos. Entrementes, sobejam ideias para possíveis debates cuja participação da sociedade, organizada ou não, é imprescindível. Exulta-nos uma obra realizada com senso de responsabilidade social, mas fustiga-nos quando a proposta é executar tudo a toque de caixa, sem quaisquer planejamentos ou respeito para com os munícipes.

Queremos, pois, que as imperfeições do sejam assumidas para que, enfim, possamos caminhar rumo à perfeição.

> Crônica publicada no jornal Notícias do Dia em 08/03/2012.

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