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Perdoem-me os gritões, mas falar baixo é fundamental. Aprendizado que trago desde muito pequeno mostra que aqueles que gritam para se fazer entender, em algum momento, perderam a razão e tentam convencer na marra. Mas, sinceramente, creio que os exaltados não convencem nem a si mesmos e tentam, como último recurso, ganhar na forma e não no conteúdo! Ironicamente, podemos afirmar que os gritões são uns parnasianos! Claro que pode ser difícil imaginar o Olavo Bilac, nosso mais importante poeta parnasiano, vociferando versos nalgum sarau ou mesmo dando de dedo noutro membro da Academia Brasileira de Letras – entidade que ajudou a criar. E façamos a ressalva de que, ao menos, os adeptos ao parnasianismo (talvez inspirados pela antiguidade clássica) tinham algum talento digno de nota.

Quando uma conversa descamba para o exagero ou mesmo quando as coisas mais triviais passam a ganhar importância tão somente pela entonação do locutor, aí é preciso acender a luz vermelha indicando “atenção, perigo”! Minha dica para evitar essas ocasiões quase sempre inconvenientes é deixar o recinto para que a pessoa em questão fique sozinha sentindo a ridicularidade da situação.

Dos mistérios que se escondem neste espaço que habitamos entre o céu e a terra, creio que um dos mais interessantes e divertidos seja o eco (o eco, o eco…). Porque mais do mesmo, o eco é a resposta mais direta e obsequiosa para aquele que o originou. Ao nos ouvirmos com algum atraso, a relatividade das coisas cai em nossas consciências como aquela maçã do Isaac Newton – se bem que os resultados possam ser relativamente distintos. E por falar em Newton sua terceira Lei muito nos convém quando analisamos o eco: “A toda ação há sempre oposta uma reação igual (…)”. Dito e feito ou, melhor ainda, dito e ouvido com aquela demora de sempre; e o que volta com o eco é a incapacidade que temos de escutar outrem.

Parece ser evidente, mas pelo jeito não é: o grande orador foi, é e sempre será aquele que melhor escutar o que se lhe apresenta. No momento do grito, aquele que o faz não pode ouvir o outro ou qualquer coisa além. Gritar é esmurrar a própria vaidade. Quando assisto a estes programas de televisão nos quais os apresentadores (religiosos, políticos, esportivos, etc) se esbaldam em gritos, gestos e demais excessos físico-verbais, lembro-me daquele aprendizado infantil e percebo que é muito melhor ler um livro do que perder u tempo com estas figuras histriônicas. Gritar para quê?, pergunto-lhes em voz baixa.

> Crônica publicada no jornal Notícias do Dia em 05/04/2012.

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