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Quando o Caderno Plural do Notícias do Dia ganhou cronistas fixos, no final de abril de 2008, ganhei também a sua companhia semanal. Desde a primeira crônica, publicada em 01 de maio daquele ano, uma quinta-feira como hoje, foram muitas palavras que se aproximam de quase 200 textos. Começamos, eu e os outros cronistas, com 1.500 caracteres, passamos para 2.000 e estamos atualmente com aproximados 2.500. Você aí que nos lê deve se perguntar se isto é muito, se é pouco ou, ainda, se é o suficiente. Pois eu lhe digo que as ideias não se preocupam com espaço e assim também o é para com as crônicas.

Aos que tiverem a oportunidade de ler esta crônica no jornal impresso, desejo que o sujar das mãos tenha valido a pena. Numa era em que a internet, tablets, celulares e afins deixam tudo literalmente ao alcance do toque – e aqui a expressão “mundo digital” faz um necessário duplo sentido –, é interessante termos contato ainda com este tempo antigo que vem desde as inscrições rupestres (verdadeiras crônicas da pré-história). Depois disso, passamos pela prensa de Gutemberg e atualmente estamos sob a égide dos processadores eletrônicos, como o que me ajudou a digitar estas palavras. Mas aqui, nesta página do jornal, tudo permanece igual, sendo também possível a diversão neste meio de comunicação. A crônica, entre tantas notícias sobre crimes, corrupção e guerras, é um pedacinho divertido num mar de seriedade.

Este espaço crônico revela algo sutil de um tempo presente. O escritor é aquele que lida com as palavras, seja um romancista, um jornalista, um cronista ou outro alguém comprometido com o texto. Ficção ou realidade, talvez tudo seja essencialmente literatura e, por isso mesmo, estamos todos, autores e leitores, ligados por algo imaterial e necessário chamado conhecimento – este espírito que viaja através do tempo acompanhando os nossos passos na história.

Ao ler Um Conto de Natal, obra do inglês Charles Dickens sobre um velho homem sem coração que se encontra com o fantasma de seu antigo sócio e reavalia tudo o que realizou em seus dias, uma frase em especial me chamou a atenção. Dizia o texto, quando do encontro entre Scrooge (o sem coração) e Marley (o fantasma), que o visitante de outro mundo estava “tão perto dele quanto estou, em espírito, sobre o ombro de vocês, neste momento”. A frase é genial porque coloca um laço entre o autor (Dickens, outrora / este cronista, agora) e seus leitores. E a comunicação humana não é nada mais do que um laço firmado entre pessoas, comungando o conhecimento a favor de nós mesmos. Eis o que procurei em fazer nestes quatro anos sobre o ombro de vocês.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 03/05/2012.

> Obs: o mesmo agradecimento vale para quem ler esta crônica aqui neste Blog.

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