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Está provado que certos relacionamentos são aventuras das mais perigosas, dessas que cruzam fronteiras nunca antes trilhadas ou navegadas. Mas é fato que nosso viajante aventureiro Cris não era marinheiro de primeira viagem quando se envolveu com aquelas três belas jovens que comungavam entre si o desejo por paixões inexploradas.

Cris era um cara otimista, simples como o diminutivo de seu pomposo nome: Cristóvão! Preferia Cris porque a outra forma parecia um grito… e as quatro letras eram muito mais fáceis de serem lembradas.

– Gravei seu nome. É Cris, não é mesmo? É mais divertido que um nome inteiro e ainda mais interessante que uma sigla.

Foi assim que Clara, ruiva de olhos verdes, veio a ter com ele. Quando se encontraram num barzinho à beira mar, Cris se sentiu levemente intimidado pela ciência que corria em suas falas. Clara, que preferia ser chamada por Nina, conversava sobre os astros e o cosmos com a mesma naturalidade que uma ostra falaria de pérolas. E ficaram observando estrelas, marinhas ou não, até que a noite terminou.

Por aqueles dias, também, outro encontro surpreendeu o ainda extasiado Cris. Seria possível conhecer duas faces do amor em tão pouco tempo?, perguntava-se enquanto a morena Triana contava-lhe sobre suas maratonas ao redor do mundo.

– Sou uma velocista, mas corro sem qualquer ansiedade. Afinal, sempre há um porto seguro em qualquer direção.

O corpo esguio, firme, delineado pelos exercícios característicos de uma atleta de seu porte (e que dizer daquela sugestiva pinta sobre seus lábios!), provocou as reações mais curiosas em Cris, abismado com tamanha sorte em tão pouco tempo. Nem mesmo um artista mundialmente famoso daria com situações assim tão sensíveis e inesperadas. Qualquer deus do amor, não importa a tradição, certamente lhe abençoara com a dádiva da boa sorte.

Assim, o cupido lhe acertaria ainda uma terceira vez, quando Maria surgiu tão imponente como convém às santas. Religiosa que era, Maria se mostrou compreensiva com Cris, que lhe acabara de contar sobre suas venturosas incursões nos mares da paixão.

– Descobri a ciência oculta com a Nina, encontrei com a realidade física de Triana e, agora, sou surpreendido por uma fé avassaladora que parte dos teus louros cabelos, ultrapassa todo o seu abundante corpo e chega em mim como um gentil sermão.

Maria, cujo apelido de infância era Galega, ouviu aquelas palavras sinceras ditas por Cris no exato momento em que Nina e Triana (Pinta!) chegavam. O que fazer?, pensou ele, pouco antes de embarcar com as três para um novo e ainda desconhecido continente.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 04/10/2012.

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