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Pode não ter a mínima importância, mas etimologicamente os dois grandes partidos (Republicano e Democrata) que disputaram a eleição nos Estados Unidos da América dizem que todos são mais do mesmo. Vejamos: República, do latim “res publica” ou “coisa pública”; Democracia, do grego “demos kratos” ou “autoridade do povo”. De alguma forma, então, pode-se dizer que as eleições, lá como aqui, são jogos de cartas marcadas porque os jogadores são os mesmos em qualquer ocasião.

Assim, Republicanos ou Democratas pouca diferença farão neste grande contexto que é o da economia global. Mesmo que as barreiras sociais permaneçam absurdas em praticamente todo o planeta, os fatores econômicos ainda sofrem de um aviltante distanciamento humanitário. O que interessa é sanar a dívida estadunidense e manter o mercado comum europeu firme e forte, como se um complementasse o outro. Eis a lógica dos perversos: bolso cheio em meia dúzia de países e barriga vazia nas demais nações.

Muito tempo antes desse pleito que reelegeu Barack Obama para dormir novamente em seu amplo quarto da Casa Branca, o filósofo grego Platão afirmou que a democracia é um regime político tão ruim que está praticamente no mesmo patamar da timocracia (“governo dos ricos”), da oligarquia (“governo de poucos”) e da tirania (“governo com poderes ilimitados”). A única opção aceitável para o filósofo seria a aristocracia, na qual apenas os mais sábios e bem preparados guiariam os interesses de todos. Ainda que os pensamentos de Platão sejam fundamentados com alguma coerência, principalmente quando olhamos para muitos dos resultados das eleições municipais em 2012 no Brasil, o fato é que teríamos de fazer um outro pleito para escolher os mais sábios – e a história se repetiria.

Mesmo que as eleições nos país dos hambúrgueres sejam diferentes das brasileiras, as intenções políticas são praticamente as mesmas, guardadas as devidas variantes culturais. Direta ou indiretamente, há uma lacuna gritante entre os políticos e os cidadãos comuns. A derrota de Mitt Romney é compartilhada por todos os eleitores que não terão vez/voz nos rumos do país/planeta por, pelo menos, quatro anos.

O povo com autoridade ao definir suas metas para a coisa pública não passa de uma limitação vernacular. É mesmo angustiante perceber que o jogo democrático está decidido antes mesmo da partida começar, não importam as cartas e tampouco os votos. A decepção com a reeleição de Obama é a nossa única certeza de que esquerda e direita se tornaram tão somente setas de orientação no trânsito.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 08/11/2012.

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