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Segundo a antropologia cultural, não é possível qualificar uma cultura como superior ou inferior. Esse é um olhar sabidamente etnocentrista, ao qual devemos nos manter longe. E o estudo da antropologia é indispensável para a compreensão da cultura e seus significados.

Do verbo latino colere, que significa cultivar, surge a palavra cultura. São os antigos romanos quem ampliam o conceito para incluir o refinamento do indivíduo. De lá para cá, o termo adquiriu significações diversas. As mais comuns, no entanto, e que perduram até os dias atuais tratam da cultura como “tudo aquilo que caracteriza a existência social de um povo ou nação, ou então a de grupos no interior de uma sociedade” ou como o que “diz respeito a uma esfera, a um domínio da vida social”. Ambas as caracterizações estão comentadas no livro “O que é cultura” de José Luiz dos Santos. Na primeira definição, entende-se cultura como algo relativo a determinado grupo social, o que possibilitaria dizer que há a “cultura americana”, a “cultura dos índios”, a “cultura açoriana”, entre outras. Já a segunda está mais ligada à questão do conhecimento produzido ou presente nessa sociedade, com suas crenças e ideias.

A cultura é fruto histórico do desenvolvimento das sociedades. Logo, podemos afirmar que, segundo tais argumentos, a espécie humana já produzia cultura muito antes de ter um conceito sobre esta. E é a mente criativa a responsável pela existência da cultura; tudo é fruto do “bicho inventor”, como Monteiro Lobato chamava o ser humano.

Voltemos aos estudos antropológicos. Clifford Geertz destacou que a cultura é uma ciência interpretativa, podendo ser compreendida da mesma forma que lemos um texto. Para Geertz, não existe, pois, um conceito geral de cultura, mas sim interpretações. Cultura, assim, é uma teia de significados.

As noções abordadas nos parágrafos anteriores expressam que a cultura pode ser entendida por pelo menos duas maneiras que não apenas se diferem como também se opõem. Na primeira, temos uma definição que reduz a cultura a uma produção apenas da parcela mais favorecida da sociedade ou, em suma, de uma elite dominante. Na outra, há a ideia de que cultura não é algo que possa ser definido, em geral, com o viés determinado segundo as conveniências de setores sociais específicos. Pelo contrário, a cultura está presente em todo lugar e não exclui ninguém de seu contexto, justamente pelo fato de ser uma interpretação e não uma lei geral.

Não se aflija; tudo o que você faz pode ser cultura

 > Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 02/05/2013.

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