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Hillvalley. 14 de Fevereiro de 1894, Dia de San Valentín. A cidade, localizada no Arizona, celebrava o baile dos namorados, e André Venge dançava animado com sua noiva. Eles se casariam no dia seguinte, mas um pistoleiro conhecido por uma cicatriz no lado direito do rosto alterou aquele plano de maneira trágica.

Com os habitantes reunidos na praça, Cicatriz (como todos o chamavam) aproveitou a oportunidade para roubar a agência bancária. E assim o fez, mas não contava que Venge e sua noiva passavam pela frente do local naquele mesmo momento. A noiva insistiu para que ele buscasse o violão na futura casa de ambos; ele relutou no início, mas cedeu ante o charme da jovem. Venge era um exímio músico, mas raramente se apresentava em público. Seu melhor desempenho era com as palavras, trabalhando vez por outra como revisor no jornal da cidade. Entretanto, sustentava-se provisoriamente como ajudante do xerife. Por isso, era um dos poucos que portava uma arma naquela pacífica cidade. Mas justo naquele dia, estava de folga e o colt ficara guardado na delegacia.

Quando Cicatriz deixou o banco, André e sua noiva foram surpreendidos por uma onda de balas. O pistoleiro e seus comparsas disparavam sem piedade e acertaram os jovens noivos que iam em busca de música. Venge sobreviveu com apenas uma cicatriz no lado esquerdo do rosto, mas ela morreu com uma bala certeira no coração. Desde aquele dia, Cicatriz nunca mais fora visto e Venge jamais tocara novamente.

Florianópolis. 20 de Outubro de 1924, dia da Morte de Hercílio Luz. Cicatriz deixara o Norte logo após os acontecimentos em Hillvalley. Primeiro, o pistoleiro passara uns anos no México. Depois, viajou para a Argentina e, de lá, decidiu ir para a Capital de Santa Catarina, no país vizinho. Trabalhava como construtor, e participava na construção da primeira ponte que ligaria a Ilha ao Continente. Recebera a notícia da morte do então governador quando estava de folga, tomando uísque com outros companheiros num bar improvisado para os trabalhadores no Forte Sant’Ana, no lado insular da ponte. André Venge, que o procurara por três décadas, viu quando Cicatriz entrou. Chegara a hora da vingança. André pegou o violão de um dos músicos que animava o ambiente e tocou uma balada em inglês sobre a morte de uma mulher na véspera do seu casamento.

As duas cicatrizes agora estavam ainda mais visíveis quando eles se encararam. Desta vez, seria um duelo justo: os dois estavam armados. O oeste já não estava tão distante assim. E o colt disparou uma última e certeira vez.

  > Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 12/09/2013.

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