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Durante o governo Itamar Franco, 02 de Outubro de 1992 até 01 de Janeiro de 1995, um episódio não necessariamente de caráter político repercutiu ainda mais do que seu desejo pessoal de colocar o fusca novamente em produção. Falo cá do carnaval de 1994, quando a modelo Lílian Ramos esteve no camarote ao lado do então presidente mostrando, digamos assim, a parte que a calcinha comumente esconde. Comentários e risadinhas perduraram por algum tempo, mas nada que abalasse o governo do maior topete da história do planalto.

Nos Estados Unidos, algumas circunstâncias envolvendo (a falta de) roupas de foro íntimo tiveram desfechos um tanto mais graves. No dia 12 de Março de 2008, o governador de Nova Iorque demitiu-se do cargo que ocupava por estar envolvido em escândalos sexuais com prostitutas de luxo. Eliot Spitzer, o agora ex-governador, teria gasto algumas dezenas ou centenas de milhares de dólares com belíssimas garotas locais e, também, ao menos uma brasileira que fora ganhar a vida naquela terra de liberdade.

Ainda que não se confunda liberdade com libidinagem, os estadunidenses vez por outra se metem em situações sexuais que acabam deixando marcas indeléveis de suas vontades mais íntimas. De Bill Clinton com a estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky, até John F. Kennedy e um suposto caso com a diva do cinema, Marilyn Monroe. Ambas as ocorrência, saliente-se, não terminaram lá muito bem. A estagiária e um vestido fizeram Clinton mentir em rede nacional de televisão (tornando célebre a frase “Eu não tive relações sexuais com esta mulher, a senhorita Lewinsky”), o que quase levou o mandatário ao impeachment. Monroe, por sua vez, pode ter sido a amante mais famosa de JFK. Em menos de um ano, a atriz de Os Homens Preferem as Loiras seria encontrada sem vida por conta de uma até hoje mal explicada uma overdose de barbitúricos e o presidente seria assassinado em plena vigência do mandato. Trágica coincidência ou mais um caso de conspiração tão frequente na terra do Tio Sam?

Dentre todos os casos mencionados, indubitavelmente o de Itamar e sua colega despreocupada talvez mereça uma saudação por parte dos nós brasileiros, tanto pela proximidade quanto pelo fato de que “não existe pecado ao sul do equador”. E, bem, a culpa do incidente não foi necessariamente dele.

Para o bem ou para o mal, tais atos indicam apenas a fragilidade de todos os homens – e mulheres – que levam uma vida pública cada vez menos secreta. Governantes são tão mortais como nós, sucumbindo ou não às tentações do poder e, em algumas oportunidades, até mesmo logrando alguma diversão. Eis a plena democracia.

 > Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 17/10/2013.

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