Tags

, , ,


Com o surgimento da internet, uma das maiores questões evidenciadas como características centrais do novo suporte foram as relações com o tempo. No novo meio, a informação em “tempo real”, ou também chamada de informação em fluxo (pois esta precisa ser elaborada e então distribuída para que o usuário a receba), estão no mesmo patamar que as informações de arquivo. As notícias, novas e velhas, relacionam-se entre si como em nenhum outro meio jornalístico.

A forma da temporalidade condiciona a relação do público com a mídia. Todos estão acostumados a saber se determinado veículo é diário, semanal, mensal. As pessoas sabem quando terão a informação. O tempo, cada vez mais preciso, é a base dos negócios.

No jornalismo online, a memória é uma característica presente e simultânea à leitura. Muitas vezes, damos com a memória até mesmo nas “últimas notícias”. Afinal, fabrica-se artificialmente a novidade para manter a ideia de fluxo continuo. Em outras palavras, as notícias são revestidas com uma roupagem diferente e transmitidas como originais. Uma vergonha, diriam os mais tradicionais da época em que não existia Google e quase tudo era pesquisado em livros.

A memória se relaciona com o novo porque há ausência de limites físicos. Assim, existe na internet uma dupla temporalidade: instantânea e recapitulativa. O ir-e-vir, o copiar-e-colar, o mais-do-mesmo.

Ao se pesquisar assuntos midiáticos com uma metodologia aplicada à internet, é importante observar como o jornalismo interage com os elementos da própria web. Tudo é (ou parece) informação.

Apesar das mudanças de hábito, ainda se produz um jornalismo tradicional, com presença de leads (a abertura clássica do texto da notícia) e o princípio da pirâmide invertida, com as informações mais relevantes logo no início e as menos impactantes na sequência. De certo modo, os principais sites e portais de notícias (muitos já tradicionais em mídias antigas) seguem esquemas convencionais de leitura, adaptando-se, porém, à forma ágil e dinâmica da web.

As transformações de fato não são aquelas sentidas nas páginas da internet, com suas implicações tecnológicas e virtuais. Pelo contrário, o que importa a todos é compreender a distância ou a presença destes (ainda) novos elementos da comunicação na vida social, sem deixar de lado as relações existentes entre organizações midiáticas e o tipo de relação que se mantêm com o estado regulador.

O jornalismo na era da internet é o palco involuntário de seu próprio teatro de marionetes. E ninguém quer se deixar manipular.

 > Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 14/11/2013.

Anúncios