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O pessoal do tempo diz que o Brasil é o país que mais apresenta incidência de raios no mundo. Pelo menos desta vez, vamos dar um crédito aos meteorologistas porque aqui na região sul as noites estão cada vez mais iluminadas – e não é por conta da colocação de postes pelos governos locais.

Trilogia das mais comuns; temos para com o raio, o relâmpago e o trovão uma relação de surpresa e medo. O espanto ainda é maior quando acompanhado de fortes rajadas de vento e chuva, culminando num espetáculo de força da natureza. Neste dezembro de 2013, aqui na Ilha e em seus arredores, esta ópera visual traz apenas um único som – o que muda, de fato, é a intensidade.

“Cabrum”, como nas onomatopeias das histórias em quadrinhos, e lá se escondem os cachorros em suas casinhas. Melhor amigo do homem (e da mulher, claro), o cão tem uma audição muito mais aguçada que a dos humanos. Logo, este período de festas com fogos de artifício estourando nos ares de hora em hora não é dos mais atraentes para os companheiros de quatro patas. Vejo a angústia e a tremedeira que um raio provoca na cachorrinha Pulga, que minha namorada encontrou há quase 10 anos no meio da rua com apenas alguns dias de vida: o raio e o relâmpago são uma cruel preparação para o estrondo do trovão. Mas assim é a natureza, para a infelicidade da Pulga.

Outros que não curtem muito as tempestades são os equipamentos eletrônicos. A televisão do quarto pisca, o estabilizador do computador estrala e, eventualmente, a luz vai embora, tornando o verão e as nossas cabeças ainda mais quentes. E olha que Santa Catarina possui um clima subtropical, muito mais ameno que na parte superior do país. Mas o ruim é igualmente ruim em qualquer lugar.

Neste ano, em especial, as forças naturais estão querendo aparecer mais do que de costume. Ou é tão somente impressão minha? Não posso afirmar cientificamente, mas acredito que a potência destes raios de dezembro tem aumentando consideravelmente. Seria uma resposta ao aquecimento global, aos desmatamentos das áreas outrora verdes, aos rios e oceanos poluídos pela produção inconsequente dos homens (e das mulheres, claro)? Seja como for, se o saudoso Hassis tivesse de pintar novamente seu famoso quadro “Vento sul com chuva”, penso que ele não se furtaria em colocar na tela uma linha branca, quebradiça, qual um raio que chega em pleno exercício da arte.

A natureza em si não é a vilã da história, todos sabemos: só que ninguém quer se tornar um mártir apenas para fazer valer seu direito de usar o ventilador ou o aparelho de ar condicionado, pois vai que o raio caia por aqui.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 12/12/2013.

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