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No ano que passou, você estava cheio de ideias. Algumas boas, outras que deveriam ser encarceradas de tão ruins, e algumas das quais você nem mesmo se lembra. Mas estão dizendo que neste novo ano será diferente. No seu celular, na sua página da rede social, por e-mail ou nos cartões de “boas festas!”: toda gente lhe afirma que o melhor ainda está por vir.

Alguém pode dizer que já ouviu esta conversa antes, e sou obrigado a lhe dar certa razão. Essa galera que criou o tempo foi esperta ao fazê-lo em ciclos. Assim, temos duas impressões simultâneas. Os dias fluem continuamente enquanto as possibilidades de recomeço aparecem ano após ano. Alguns chamam de sorte quando essas hipóteses se transformam em teses; outros acreditam que estas chances só aparecem para aqueles que estão bem preparados. Qual seja! Escolha a roupa que lhe caiba, porque ideias são como luvas: só sentimos a falta delas quando mais precisamos.

Dizem também que o ano anterior trouxe algo de bom. E nisso também existe qualquer coisa de verdade, ainda que, para alguns, a vida seja mais complicada que para outros. Nada nos difere em essência, mas algumas convenções sociais fazem o seu réveillon, por exemplo, ser ligeiramente diferente daquele experimentado pela família real britânica. E o mesmo pode ser dito sobre o resto do ano. Mesmo assim, não se deixe abater. Talvez você tenha dado muito mais sorrisos que esta turma da Inglaterra, apesar de que foi, certamente, muito mais difícil pagar as contas no fim do mês!

Para este novo ano, ninguém precisa criar um comitê de boas vindas. Tampouco é imprescindível organizar uma recepção para os meses que estão por vir. Não é forçoso passar horas fazendo gostosas sobremesas (ainda que eu não consideraria um desperdício) ou gastar dinheiro com champanhe e/ou outras bebidas sofisticadas. Nem mesmo é necessário usar roupas brancas novas, mesmo que as liquidações após o Natal sejam convidativas. Só é preciso uma ideia, uma única ideia cheia de sentimento. Porque sentir nunca é demais.

As tradições são fundamentais para solidificar o passado e, claro, estabelecer marcos que se repetem a cada novo ciclo. Aceitar o velho ano como parte de si é um feito notável, como também o é estar disponível para os sentimentos e as sensações vindouras. Em todo o caso, cabe somente a você definir uma lista de tarefas a serem cumpridas ou deixar que as ações e suas consequências lhe guiem ao sabor do tempo. E, por falar em tempo, creio que é hora de encerrar esta história, afinal, temos praticamente um ano inteirinho pela frente.

 > Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 02/01/2014.

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