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Previsões são exercícios de reinvenção. Percebemos o modo atual das coisas, colocamos nossos conhecimentos na dianteira e então a previsão está pronta: nosso mundo foi reinventado sob nossos próprios olhos. Para 2014 ainda há muito que prever. Como sempre, Copa do Mundo de Futebol e Eleição Presidencial fazem uma inconveniente dupla com pouco ou nada em comum. Mas as mudanças sociais têm muitas semelhanças com as variações dos esportes. Afinal, não há discussão mais imediata do que ganhar ou perder.

Uns mais otimistas perguntam se o Brasil vai ou não ganhar a Copa; outros mais pessimistas até duvidam da Copa do Mundo realmente acontecer. Mas há outros resultados e muitas outras previsões

Entre o futebol e a política as semelhanças param no tamanho da representação. Você pode até torcer contra um time, mas torcer contra um governante é o mesmo que ser adepto da auto-flagelação. E assim, de tempos em tempos, de eleição em eleição, você prevê um cenário favorável e, assim, decide em quem votar. E perdendo ou ganhando sua previsão servirá tão somente como um aquecimento no vestiário. O problema é quem outra pessoa entra em campo.

Mas, em 2013, ninguém poderia prever que a voz das ruas causaria tanta agitação. E vale lembrar que nem mesmo era tempo de carnaval. Pelo contrário, nos dias frios de junho e sem nenhum samba-enredo, milhões se apropriaram daquilo que já lhes era de direito. Quem ficou contra as manifestações remou contra a corrente. E olha que a nau brasileira anda em águas turbulentas desde que Cabral aportou por aqui.

As previsões de Cabral: um documento secreto de origem desconhecida e duvidosa apareceu dentro de uma garrafa no litoral de Florianópolis. O documento, que estava datado de 21 de Abril de 1500, era uma previsão do navegador Pedro Álvares Cabral endereçada a El-Rei D. Manuel. Na sequência, um trecho transcrito (já atualizado para as normas do português falado no Brasil):

“Senhor, ainda não achamos a terra que já sabemos existir. No entanto, nossas previsões são boas, posto que já avistamos algumas aves. Dito isto, com sorte, devemos chegar em terra firme muito antes de vossa alteza receber essa carta. Mas o intuito verdadeiro destas palavras são de alerta. Minhas previsões particulares vislumbram muitos problemas pela frente; situações que não resolveremos nem mesmo em 500 anos ou mais. Assim, pergunto: será que este achamento valerá a pena? Fico no aguardo de suas manifestações. Mais detalhes virão a seguir, mas desta vez vou pedir ao Pêro Vaz de Caminha que escreva, já que a letra dele é bem melhor do que a minha”.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 20/02/2014.

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