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Imagino que a história do mundo sempre balançou aos ventos dos escândalos. Finais felizes e outros nem tanto fizeram parte das biografias de ilustres famosos pernósticos ou de nobres vagabundos desconhecidos. Entre um e outro, estamos nós com dilemas escandalosos que jamais ganhariam as páginas dos jornais. A vida não é fácil: é escandalosa! Veja por si mesmo quantos planetas por aí queriam ter algum sinal de vida, mas o máximo que conseguem é um ou outro pedacinho de água em estado sólido, tão insignificantes que não gelariam sequer um copo de uísque.

Mas se viver é escandalosamente raro, as pessoas não parecem se preocupar muito com estes inconvenientes acontecimentos do cotidiano. Para tornar tudo ainda mais digerível, esta aí a política com seus milagres econômicos, seus pacotes de aceleração do crescimento ou com suas brilhantes campanhas de marketing que fazem do mundo um lugar muito mais bonito do que realmente é. Mas o que acontece na política é o mesmo que se dá em todo o resto.

Uma humanidade que não quer ser salva agride a si mesma, seja num briga entre duas adolescentes na porta de um colégio ou através de tropas militares invadindo um país para impor uma paz que nunca se concretiza. Para mentes vazias de grandes ideias ou cheias de corrupção e outras picaretagens, não adianta acreditar em boas intenções quando o que existe é uma ânsia por fazer do “jeitinho brasileiro” um padrão ético insuperável. Quem visualiza o mundo por brechas legais ou outros subterfúgios do tipo sempre estará dando um passo para trás na direção de um novo escândalo.

Na sessão da Câmara Legislativa, um vereador acusa o outro de obter vantagens pessoais em contratos públicos. No Congresso Nacional, senadores e deputados estão sempre abrindo CPIs, seja por questões político-partidárias ou para averiguar as ações do Executivo. Enquanto isso, juízes do alto escalão têm que prestar contas de gastos excessivos ou de outras improbidades administrativas. Juntos, unidos e destemidos, os Três Poderes dançam uma valsa em que nunca há mudança de tom. E, assim, eles mudam um famoso ditado popular: “Aqui se faz, aqui se paga para sair da prisão”.

Por vezes, chega a ser engraçado olhar tantos escândalos com uma posição neutra, quase imune aos tergiversadores de plantão. Mas a piada termina quando o espelho da bruxa má reflete nossa própria inércia. E o jornal do reino traz a manchete: “Branca de Neve não era tão inocente assim”. Mais um escândalo que encerra (ou não) esta história sem moral.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 03/04/2014.

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