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A televisão é companheira das crianças há algumas décadas. Para muitos infantes, é quase uma segunda professora, ensinando lições nem sempre compreendidas, mas dignas de nota. Mas poucos programas são tão íntimos dos meninos e meninas quanto os desenhos animados. Possivelmente, foi a partir do final dos anos 1970 que começaram as gerações formadas com o cubo mágico (que hoje está mais para uma lousa interativa). Aqueles pequenos de outrora estão hoje com seus 30 ou 45 anos, mas ainda se lembram das imagens animadas que lhe alegraram os dias.

Difícil não recordar das clássicas personagens dos estúdios Disney, Warner Bros., Hanna-Barbera ou Walter Lantz. Os atrapalhados Mickey e Pato Donald competiam com os alucinados Pernalonga e Patolino. Da mesma forma, os atemporais Fred Flintstone e George Jetson concorriam com Pica-Pau e Zeca Urubu para atrair cada vez mais público. O tempo passa e a produção dos anos 1980 foi mais focada em heróis como os felinos ThunderCats, os adolescentes destemidos de A Caverna do Dragão ou ainda a turma de cavaleiros espaciais de Galaxy Rangers. A década seguinte trouxe a crítica da sociedade para dentro de animações tão distintas quanto a família amarela de Os Simpsons ou os polêmicos e nada infantis integrantes de South Park. Já o início do novo milênio ficou marcado pelo exagero divertido de séries como Bob Esponja – que surgiu em 1999, mas definiu um estilo que se consolidou na primeira década do século XXI.

Claro que este resumo deixa de fora muitas produções e tendências, incluindo os orientais animês ou mesmo os brasileiros da Turma da Mônica. Mesmo assim, a contextualização é válida porque mostra a transformação da sociedade sob a ótica infanto-juvenil. Em cada tempo, as produções artísticas e/ou de entretenimento têm uma razão de existir. O fúnebre epílogo fora de hora que ocorreu com a Segunda Grande Guerra renovou o anseio por outras possibilidades. A vitória dos Aliados sobre o Eixo foi além das conquistas militares. E este mundo pouco coeso, mas muito similar nas suas vicissitudes, foi a possibilidade que acabou vingando.

Exibido desde 2007, o desenho Phineas e Ferb é um pouco disso tudo. E arrisco-me a dizer que esta é a mais interessante animação em exibição na atualidade. Os meio-irmãos Phineas e Ferb só querem aproveitar o verão com seus amigos enquanto o mundo (ou pelo menos a Área dos Três Estados) corre perigo com os planos do malvado Dr. Doofenshmirtz. Eis uma síntese do que é a vida para todos nós: a união quase simbiótica do trivial e do insólito.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 10/04/2014.

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