Tags

, , , , ,


A primeira década do século XXI foi cheia de novas responsabilidades. Mesmo assim, muitos não souberam encarar as próprias ações, agindo como se fosse uma obrigação seguir modismos. A tecnologia roubou algum tempo útil, é bem verdade, mas também oportunizou novas ações engajadas. Mudar o mundo ficou bem mais acessível, mas tão difícil quanto no passado. Ninguém lembra mais o dia, mas todos acompanharam a primeira aparição do Corretor.

Enquanto os países caçavam terroristas ou tentavam consertar a economia no Velho Continente, esqueciam de olhar para as questões internas porque ninguém quer carregar a culpa dos desastres históricos. Felizmente, os historiadores sabem colocar heróis e vilões nos seus devidos lugares. E assim também foi com o Corretor.

Uma câmera de segurança da Polícia Militar flagrou o herói pela primeira vez. Anos depois, soubemos que ele se deixou filmar para afligir os confortáveis e confortar os aflitos – uma expressão que não era sua, mas lhe caía muito bem. No vídeo, que se tornou um dos mais acessados do Youtube em todos os tempos, o Corretor impediu um roubo a um carro forte. Apesar da fraca definição das imagens, era possível ver seu uniforme completamente escuro, certamente uma roupa militar modificada. No peito, um único traço branco horizontal, como a marca que fica dos corretores ortográficos (e foi assim que a população batizou seu primeiro vigilante). Seus movimentos eram rápidos e precisos como os de um atleta olímpico, mas suas habilidades com as armas não letais que carregava eram ainda mais impressionantes. Imobilizou três homens que carregavam potentes metralhadoras apenas com seus bastões de choque. Prendeu os criminosos junto a uma cabine telefônica e discou para o 190, deixando o fone para fora do gancho sem dizer uma palavra sequer. E sumiu feito um truque de mágica, para a surpresa dos seguranças do carro forte que acompanharam tudo.

Antes, a população de Florianópolis já havia realizado algumas ações (algumas contra a sua própria carne) que, aparentemente, eram obrigações dos governos e do Estado. Mas, lembramos, as novas responsabilidades surgiram e já não era mais tempo de ser inocente. Com a chegada do Corretor, as pessoas perceberam que as oportunidades só aparecem para aqueles que estão preparados. As leis são importantes, mas nunca partem de uma demanda verdadeiramente popular. O Corretor não era o melhor de todos, apenas o mais preparado. Seus vídeos continuam bombando na internet, enquanto os vilões insistem nos erros.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 08/05/2014.

Anúncios