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Por sua natureza, acidentes aéreos causam uma impressão ampliada dos dramas humanos que lhes cercam. Ainda que ocorram diariamente mortes no trânsito, quando a tragédia desce dos céus a comoção dá voltas e voltas pelo mundo. E, quando um acidente envolve uma personalidade, as análises, investigações e comentários sobre o tema ganham o foco dos meios de comunicação.

Assim acontece e acontecerá com a morte de Eduardo Campos, no dia 13/08/2014, candidato nas eleições presidênciais deste ano. Se um acidente quase sempre é inesperado, que dizer quando ele influencia os destinos políticos de uma nação? Afinal, independentemente dos resultados das urnas, para todo o sempre haverá aquela sensação do que “poderia ter sido”. Algo semelhante ocorreu quando Tancredo Neves morreu antes de assumir a presidência em 1985. E num universo político que sempre gira em torno de si mesmo, o neto de Tancredo, o também político Aécio Neves, está disputando a mesma vaga pela qual Eduardo Campos concorria.

Os catarinenses também já viveram no passado uma tragédia política envolvendo uma aeronave. Em 1958, o ex-governador Jorge Lacerda, o ex-presidente Nereu Ramos e o deputado federal Leoberto Leal partiam de Florianópolis ao Rio de Janeiro no voo 412, com um Convair 440, da companhia Cruzeiro do Sul. O avião, porém, caiu em São José dos Pinhais, tirando a vida das maiores personalidades políticas do estado naquele momento. Muitos atribuem ao lageano Nereu Ramos a transição tranquila para a posse de Juscelino Kubitschek naqueles dias atribulados após a morte de Getúlio Vargas. Novamente, as perguntas que nunca serão respondidas: e se eles não tivessem partido? Que rumos Santa Catarina, e mesmo o Brasil, teria assumido politicamente?

Às mortes de famosos sobram homenagens. Dizem que todos (ou quase todos) são perdoados pelos erros que cometeram em vida tão logo seus dias terminam. E parece que há alguma justiça quando interpretamos as coisas assim. Nesse momento em que tudo é recente, os 49 anos de Eduardo Campos, completados no último dia 10/08, serão relembrados por todos aqueles que lhe fizeram companhia em sua trajetória pessoal e política. Familiares, amigos, fãs e políticos celebrarão a vida daquele homem que estava na cena do principal embate político do país. E, claro, haverá drama e dor porque os sentimentos de cada um se manifestam apesar dos pesares.

A foto de Eduardo Campos não estará mais nas urnas eletrônicas das eleições deste ano, como se fosse uma outra resposta que nunca será dada.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 14/08/2014.

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