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Em dezembro, é sempre a mesma história: o ano de então finda e fica na memória; como uma rima inacabada ou uma trama mal contada. Que será que os senhores do destino tramam? Uns odeiam, outros amam. Para aqueles do canto, é tempo de resignação. Porque se há pranto, também haverá triste ação. Mas existem aqueles meio otimistas, mesmo não acreditando que tudo são conquistas. Há o que perde e o que deixa de ganhar. O pescador lança a rede, mas nem sempre consegue pescar.

Fim de ano lembra fim de festa. Uns terminam com suor na testa, outros têm lágrimas no rosto. Um brigadeiro de péssimo gosto. No chão, os balões estourados a dividir o azulejo com os embriagados. Uma flor despedaçada numa mão e na outra um típico chapéu alemão. Lembranças das festividades de outubro, quando o álcool deixou o semblante rubro. Beber de vez em quando não faz mal à ninguém. Prejuízo mesmo é deixar passar a felicidade de trem. Locomotiva. Louca motiva.

Para os mais sérios, é hora de rever as questões econômicas. Para os risonhos, não mais que uma política tragicômica. Querem falar de morte e impostos. E esquecem o principal: não se atraem apenas os opostos. Viver é algo para além de cifras. Dinheiros são pequenas baboseiras. Para uns, o que vale mesmo é o cartão de crédito. Para outros, é o amor quem está em débito. Assuntos típicos de um período transitório. Acaba o ano, mas não acabam os precatórios. Dívidas? Dúvidas.

Mas, por favor, esqueçamos por um momento as questões globais. A minha vizinha de porta quer resolver assuntos mais banais. Ano que vem, quem será o síndico? Será que eu mesmo não me indico? Não sei não, mas acho que condomínio é coisa séria. Não quero fazer disso apenas uma crônica ou pilhéria. Além disso, há o barulho do vizinho adolescente, ou a alta música religiosa da vizinha crente. Não quero me intrometer nos dramas alheios, nem vou entrar em brigas de damas e cavalheiros. Prefiro ficar aqui mesmo com meu jogo de xadrez. Talvez assuma o condomínio numa próxima vez. Para um nó, xeque-mate. Para o outro, cheque e ate.

Os dias que faltam nem sempre são os mais interessantes. Principalmente quando sorrimos com o que veio antes. A saudade é uma porta que não fecha, qual um alvo que sempre acerta a flecha. Lembrem que a ordem dos fatores altera os produtos. Ainda mais para os que não pagaram seus tributos. Ainda bem que não falamos sobre política! Pois que esta não seria uma crônica e sim uma crítica. E, se a história é sempre a mesma, porque lutamos? Sei lá o porquê, somos apenas humanos!

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 18/11/2014.

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