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Vamos aos pontos sem nós: Fevereiro é um mês de intersecção. Tão curto que só ele, não engloba os fatos. O que lhe acontece é resquício de janeiro ou apenas as primeiras ondas das águas de março. É um mês sem chão, que passa como quem flutua. Não está ali, nem aqui. E também não virá de lá! No Brasil, ainda por cima, suspenderam as comemorações enamoradas de São Valentim porque o comércio andava mal das pernas nos meses mais frios. Logo, junho roubou o Dia dos Namorados sem nem mesmo dizer “Obrigado, Fevereiro”.

Entrementes, a matemática dos dias custava a fechar com exatidão, o que resultou na criação do ano bissexto. Qual um prêmio de consolação por sua duração exígua, fevereiro ganhou um vigésimo nono dia a cada quatro anos. E o acréscimo inesperado apenas serviu para lhe causar mais dissabores, como quando nasce alguém no dia 29/02 e nunca sabe ao certo quantos anos tem ou em que dia deve comemorar seu aniversário.

Fevereiro é uma era de sonho; custamos a lembrar do início e nem sabemos quando chegamos ao fim. É uma dúvida constante que ri de nós e não para nós.

Quando o carnaval cai em fevereiro, aí mesmo todos os rumos se perdem. O ano, que custa a iniciar, fica em permanente suspensão. Ninguém sabe como o mercado vai reagir, quando chegará a hora certa de voltar aos investimentos ou mesmo se a namorada ou o namorado aceitará o pedido de casamento.

Se você está lendo esta crônica ainda no mês em questão, não se deixe enganar: Fevereiro não é um mês parado. Pelo contrário. É nessa época que o mundo sai às ruas porque atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu. A cada instante, há um desabrochar de ideias e aspirações que não estão nem aí para o calendário gregoriano, maia ou quaisquer outros. Talvez, até mesmo o fim dos tempos, ou o novo Big Bang, aconteça num fevereiro apenas de provocação – e no dia 29, para ser um evento inesquecível!

Sempre penso nos meses como vizinhos que não conversam entre si. Não é que eles não se gostem, mas há um respeito zeloso que os impede de contar fofocas ou trocar mensagens de texto. E, entre todos os meses, fevereiro é o café-com-leite, o caçula, o protegido, aquele a quem todos invejam justamente porque não o entendem.

Deixe as preocupações de lado. Não será preciso visitar o oftalmologista para ver com clareza: O carnaval já passou e tudo está ficando muito mais nítido. Antes que você se dê conta, já estaremos num novo mês… mas, então, virá aquela gostosa saudade de fevereiro, e contaremos os dias para que ele retorne outra vez.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 19/02/2015

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