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Outro tijolo no muro / another brick in the wall. A frase-título da famosa música do grupo inglês Pink Floyd nos remete a uma discussão sem fim, ou com um fim, aparentemente, muito distante.

Somos realmente apenas outro tijolo no muro? Estamos aqui porque servimos para alguém? É difícil saber o real motivo de tudo o que nos cerca. Acredito que, em diversas vezes, o chamado “sistema” impele ao ser humano determinadas ações que não são sequer passíveis de explicação. As atividades ocorrem de forma sintomática, tão mecânica quanto um relógio. Tic, Tac.

Inocentes e culpados. Certo ou errado. Por impulso, seguimos em frente ouvindo o som oriundo das hélices do helicóptero (ou seria um drone?) que sobrevoa nossas cabeças, como um vigilante atento a todos os passos da humanidade. Fim da privacidade? Será que ainda existe alguma privacidade?
A tecnologia está aí para quem quiser ver e para alguns poderem usufruí-la. O destino da nossa espécie reside num botão capaz de iniciar uma guerra, eliminando de uma só vez milhões de vidas.

O bombardeio do helicóptero começa. As forças do poder instituído, mas não respeitado, ajudam nesse massacre que controla o avanço das forças contrárias ao sistema vigente. Tijolos e dinheiro ergueram o império. E você? Você é apenas outro tijolo no muro?

As hélices giram formando um círculo contínuo de som e vento. Os mísseis são lançados numa velocidade que os olhos não vêem, mas o coração sente. Mesmo que estejam despedaçados, ainda existem os corações que batem fora de ritmo tal qual a vida de seus donos inconformados.

No lugar de corações, medalhas. No lugar de vitórias, perdas. Ninguém sai lucrando quando um lado quer se manter no alto do pódio, comandando seus exércitos que seguem com vendas nos olhos para que não vejam os horrores que cometem – tal e qual a musa Justiça.

A sintonia não existe mais. O ritmo agora segue fora do compasso. A música que toca dispensa apresentações e vai direto ao assunto, sem rodeios, sem perguntas. O intervencionismo é a ordem da vez.

O sonho da democracia existe, ainda que muitos vivam em pesadelo constante. Quem luta pela paz faz guerra. Quem proclama a liberdade prega o fascismo. Sonhos perseguidos, destruídos por bombas de status.

A prova mais dura para um estudante. A lição que o pai não sabe como explicar para seu filho.

O caminho da conciliação, do entendimento, do respeito mútuo, da celebração das diferenças é só mais um tijolo no muro erguido sobre o sangue civil. Mas, ainda assim, é o tijolo que fazemos questão de carregar.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 19/03/2015.

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