Tags

, , ,


A queda da bolsa de valores de Nova Iorque em 1929 provocou danos em todo o mundo, incluindo no Brasil onde a indústria cafeeira era o fundamento básico de nossa economia. O café para as grandes nações era considerado como um “alimento acessório” e, como os países europeus precisavam se reerguer, logo a exportação do café sentiu uma forte crise.

Getúlio Vargas, o presidente à época, sabia que o Brasil não poderia ficar sustentado apenas pelo setor primário, e enxergou na industrialização nacional um caminho inevitável. Unindo o útil ao agradável, o excedente agrário dá origem a industrialização brasileira da chamada primeira Era Vargas.

O Brasil então se une ao capital americano. Para Vargas, seria uma espécie de camaradagem, uma união quase que “meramente associativa” para o avanço produtivo brasileiro. Evidentemente, essa autonomia de Getúlio não agradava aos EUA. Mesmo assim, em 1937, Getúlio cria uma nova ordem nacional chamada de Estado Novo.

O governo de 1930 até 1945 é visto como marco na industrialização e modernização do país, o que não se deveu apenas ao “gênio” de Vargas: fator determinante para esse “sucesso econômico” era o apoio de toda uma conjuntura internacional, que avançou por causa das crises internacionais, como o próprio “crack” da bolsa de Nova Iorque em 1929 e a Segunda Grande Guerra, que teve seu início em 1939.

Os três pilares básicos do desenvolvimento na era Vargas eram: investimentos estatais nacionais, investimentos privados nacionais e capital estrangeiro, púbico ou privado. O Estado Novo possuía uma política extremamente protecionista e nacionalista, o que permitiu um maior avanço na economia nacional sendo apoiado nesse aspecto até pelas forças de esquerda.

Vargas sai da presidência em 1945 e Dutra assume o poder até 1950, quando Getúlio volta para a presidência da Republica após uma esmagadora vitória nas eleições. Dessa vez como na outra, Getúlio Vargas aproveita seus viés declaradamente populista e nacionalista para chegar ao poder, desagradando mais uma vez aos norte-americanos – agora, saliente-se, em época de Guerra Fria, quando na visão americana qualquer má gestão na política internacional poderia transformar um país em aliado da então socialista União Soviética.

Vargas sente-se pressionado por todos os lados conforme cita em sua carta-testamento, escrita em 24 de agosto de 1954 antes de cometer o suicídio. Foi um tiro em si e um duro golpe nos adversário. Até na morte, o presidente fazia tudo ao seu modo.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 09/04/2015.

Anúncios